terça-feira, 13 de março de 2012

O Apanhador no Campo de Centeio

__No filme "Teoria da Conspiração", o personagem principal, interpretado por Mel Gibson, comprava o livro "O Apanhador no Campo de Centeio" sempre que entrava numa livraria ou loja. Dizia fazer isso para se sentir normal. Porém, mesmo tendo várias cópias do livro, nunca o havia lido.
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-____________________Teoria da Conspiração
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__Por dez anos depois de ter assistido ao filme, ouvi falar poucas vezes do livro. Uma amiga brasileira me dissera que era um clássico americano, mas não entendia o porquê.
__Em 2010, lá estou eu em viagem de turismo nos Estados Unidos pela segunda vez, ficando na casa de uma querida família. Havia acabado de ler "2001 - A Space Odyssey", e pedi que me levassem a uma livraria local para comprar mais um livro.
__Chegando na loja, não sei porquê, lembrei do Apanhador. Mas e aí? Como dizer "O Apanhador no Campo de Centeio" em inglês? Quando vi o filme, era dublado. Nas aulas que tive de inglês, nunca aprendi a falar "apanhador" nem "centeio". E essas palavras nunca tinham aparecido em seis anos de conversas com americanos. Já existiam pessoas com smartphones, mas eu não era uma delas, e acreditava que jamais teria um. Fosse hoje, a coisa se resolvia em segundos consultando o tradutor do Google.
__Cheguei para a amiga que me acompanhava na livraria, a Mandy, e disse:
__-Você se lembra daquele filme do Mel Gibson? Teoria da Conspiração, eu acho...
__-Sim, eu lembro.
__-Então... como era o nome do livro que ele sempre comprava, mas nunca lia?
__-Crap.. eu não me lembro.
__-Eu acho que a primeira palavra do livro é "get". Ou então... como é que se chama uma pessoa que "get" alguma coisa?
__-I don´t know.
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_________________________Mandy
__)
Tivemos que perguntar para o atendente da loja, se ele se lembrava do filme do Mel Gibson, em que tinha um livro, etc, etc, etc... O atendente foi para o Google, e voltou com a resposta.
__-The Catcher in the Rye.
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__Quando voltamos para a casa da Mandy, o pai dela, que vinha lendo os mesmos livros que eu, foi logo me perguntando:
__-Que livro você comprou?
__Eu quis contar a história desde o começo:
__-Então, eu não sabia o nome do livro que eu queria. Eu achava que começava com "get"...
__-Já sei: The Catcher in The Rye.
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__Como gostei desse livro! Se tivesse que resumi-lo, diria que é sobre o desafio de interagir com uma mente que se fecha. Eu já conversei - e você também já deve ter conversado - com alguém que me parece um imbecil. Em uma conversa dessas eu penso: "o que esse imbecil está pensando?" Esse livro oferece, entre outras coisas, esse vislumbre: o que deve se passar na cabeça de uma pessoa que parece um imbecil. Entendo que a história está carregada de significado, e, por isso, proponho ao leitor que se entendiar com a conversa juvenil do protagonista: leia até o fim, com muita atenção.
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A Mandy me contou depois que a lenda em torno do livro é que quem o lê pode ter seu assassino interior despertado. Só mais de dez anos depois de ter visto o filme foi que entendi: o Mel Gibson sempre comprava o livro porque queria lê-lo e provar para si mesmo que não era um assassino. Mas, na hora de ler, desistia, porque tinha medo de ser um assassino afinal.

2 comentários:

Cali_________________________ disse...

E adivinha qual é o primeiro livro que a Scarlett comprou aqui nos States?? Esse aí mesmo! hehe Já tinha lido no Brasil e em Ingles mas pensei que era esse livro que tinha que comprar aqui e além do mais, bem "Nova York". Lembro que eu tava uma vez no Central Park e vi os tais patos da lagoa. Hoje eu leria esse livro totalmente com outros olhos com certeza. Eu nao amei o livro na época, parecia meio sombrio, "gloomy", sempre tinha uma impressao de uma cidade humida, cinzenta e fria, nada no livro era referencia de Nova York pra mim. Incrivel. Nem vou ter coragem de ler esse livro de novo no Brasil eu acho porque vou ficar com muita saudade, sensaçoes bem estranhas que eu tenho medo hehe. Curiosidade: sabias que foi esse livro que o assassino do John Lehnon pediu pra que ele autografasse antes de matá-lo? Sinistro, heim?

Renan Caleffi de Oliveira disse...

Vai ver que é daí que vem essa história de "despertar o assassino interior" então.