sábado, 11 de abril de 2009

Duplipensar

__Frase de Tom Jobim, falando sobre viver fora do Brasil:
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"Viver lá fora é bom, mas é uma merda. Viver no Brasil é uma merda, mas é bom."
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__Sobre como encontrei essa frase: numa tarde de sábado, terminei de ler o livro 1984, de George Orwell. Na obra, uma ditadura utiliza em seu governo o princípio do duplipensar, "o poder de manter duas crenças contraditórias na mente ao mesmo tempo, de contar mentiras deliberadas e ao mesmo tempo acreditar genuinamente nelas, e esquecer qualquer fato que tenha se tornado conveniente".
__Assim que acabei de ler o livro, fui a uma livraria e dei de cara com o "Deu no New York Times", do jornalista Larry Rohter. Tema: "O Brasil segundo a ótica de um repórter do jornal mais influente do mundo". Abri o livro em qualquer parte e, na página 92, o autor menciona George Orwell e o duplipensar, e diz que "os brasileiros são realmente craques nessa arte. Eles são ao mesmo tempo ufanistas sobre o Brasil, às vezes chegando a ser cansativos, e os mais implacáveis críticos de sua sociedade." Menciona, então, a frase que abre esse post como exemplo do duplipensar.
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__Em 1984, o duplipensar existe para que os cidadãos aceitem viver numa sociedade de incoerências: acreditar no progresso quando a pobreza só aumenta e buscar a paz através da guerra. É uma arte do engano. Já Francis Scott Fitzgerald, que morreu uns 8 anos antes de o livro 1984 ser publicado, disse certa vez:
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__"Uma inteligência de primeira categoria se mede pela capacidade de manter duas idéias opostas em mente, ao mesmo tempo, e, ainda assim, reter a capacidade de funcionar. É, por exemplo, ter a certeza de que as coisas não têm esperança e, ainda assim, manter o ânimo de transformá-las".
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__E assim termina o momento Pedro Bial deste post.
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__Quer dizer, não termina não: não foi em um livro do F. Scott Fitzgerald que li sua frase, mas em um livro do Pedro Bial, "Roberto Marinho".
__Agora, sim, acabou.
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__Quer dizer... no livro 1984, câmeras espalhadas por todos os lugares observam o comportamento dos cidadãos, que são vigiados 24 horas por dia. Tal invasão de privacidade ocorre em nome do personagem Big Brother, o líder, o Grande Irmão. E o programa Big Brother, apresentado por Pedro Bial, tem esse nome por causa desse personagem do livro 1984.
__Agora sim, acabou.
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__É sério, acabou mesmo.
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__Acabei comprando o livro do Larry Rohter. Comprar este livro me deu a motivação de blogar um pouco, depois de mais de um ano. Provavelmente por causa da semelhança das obras: o livro dele é o Brasil pela ótica de um americano. Este blog é a América pela ótica de um brasileiro. Como temos quase o mesmo tempo de experiência com a escrita e ganhamos quase a mesma quantia em dinheiro por nossas atividades de redação, este blog e o livro dele são quase a mesma coisa.
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__Gostei um pouco do livro. Foi bom saber sobre os artigos que ele publicou sobre o Brasil lá fora, além do único que eu conhecia até então, que tratava do gosto do Presidente Lula pela bebida. Entre os que foram selecionados para o livro, há aqueles elogiosos, que tratam da economia, da cultura, da ciência e da tecnologia do país, e aqueles que tratam de tristes realidades desta terra, como a pobreza que leva cidadãos aos traficantes de órgãos ou ao trabalho escravo, a corrupção generalizada e a nossa incapacidade de impedir a destruição da Amazônia. O livro também vale por refrescar a memória quanto às histórias do mensalão, do assassinato do prefeito Celso Daniel e da possível conexão entre elas. Até porque, como opina o próprio Rohter, o brasileiro tem uma facilidade incrível de esquecer episódios recentes da política nacional.
__Já as reflexões presentes no livro não são das mais empolgantes.
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__Sugiro uma espiada (desculpa, Bial!) no seguinte blog: Living in Brazil. Este sim, parecidíssimo com o meu. É um americano vivendo em Porto Alegre, descrevendo seu dia-a-dia, exatamente como eu fiz quando estive fora. Só não tem fotos.

4 comentários:

Anônimo disse...

achei interessante o seu post! Muito bem embasado teoricamente, contudo, fiquei sem entender o motivo daquela frase chamando para o post!!!
Achei o tema tão interessante e quando li, não entendi! :)
Abraços.

Renan Caleffi de Oliveira disse...

Dizes essa frase?

"Viver lá fora é bom, mas é uma merda. Viver no Brasil é uma merda, mas é bom."

Quis dizer que esse é um exemplo de duplipensar, o fato de ser bom e ruim .

Fernando disse...

Resch - Top Assurance
Dae Renan!!! Então, depois de 20hs de IF aki em Triunfo procurei algo interessante para ler na internet... já revirei todas as noticias dos sites como Globo, Terra, Clic, etc... e lembrei do nobre colega da semana!
Muito show seu ultimo post... começa com a frase de Tom dizendo tudo!!!
Além disso... tive por muito tempo a frase que vc coloca no rodapé do blog, de Amyr Klink como perfil do meu Orkut!!! Viajar é tudo isso mesmo... todos precisam viajar!!!
Grande abraço...
E pô... cade o blog dos CPCs? An?
Q DEMAAAAISSS!!!!

Renan Caleffi de Oliveira disse...

Hahaha! Grande Resch!

Estou certo de que essas 20 horas de IF, bem como aquelas outras 24 do outro IF, vão entrar para o rol de histórias que se conta até depois de virar gerente. Momentos duros, boas lembranças.

Lembro que vi a frase do Amyr Klink pela primeira vez em um perfil de orkut! Pelo histórico dos nossos contatos pré-auditoria, é possível que tenha sido o teu. Hehe! Pra concluir a história bem no estilo auditoria, comprei o livro "Mar sem fim" pra conferir se a frase era dele mesmo. E era. E o livro é bom! Acabei lendo mais um dele logo em seguida... "bom, bom". Serei obrigado a ler todos. Fico me perguntando se o Amyr imagina que é parafraseado por orkuteiros e blogueiros.

O blog dos CPCs eu não posso fazer. Como vou blogar sobre o meu próprio trabalho? An?

Grande abraço, Top Assurance. Valeu pela visita!