quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Até mais, Big Sky!

__Eu já sabia como era sentir saudades de um lugar. Por isso, desde que cheguei em Montana, fiz um esforço triste para guardar cada momento. Quando passei pelas portas automáticas do aeroporto de Bozeman, respirei fundo para marcar o cheiro do ar gelado. Fiquei ali parado no frio para nunca esquecer a sensação do vento muitos graus abaixo de zero tocando a pele. Caminhei em direção à neve para tocá-la pela primeira vez, pegá-la na mão para saber como é.
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__Saída do aeroporto de Bozeman: primeiro pedaço de EUA que eu conheci
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__Cedo ou tarde, todo mundo conhece aquele sentimento do "se eu soubesse que eu sentiria tanta falta daquilo, teria aproveitado melhor". Foi por isso que eu me concentrei para não deixar nenhum momento passar. Mesmo nas primeiras horas andando no frio, estive absolutamente certo de que eu desejaria muito reviver aqueles primeiros passos. Parecia que os quatro meses que viriam seriam o bastante, mas minha experiência me dizia que isso era só uma ilusão. Graças a esse desespero, minhas lembranças dessa viagem estão vivas como poucas.
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__O nascer do sol em Big Sky
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__Tentei explicar a alguns colegas sobre a falta que sentiríamos de tudo aquilo. Alguns achavam que eu exagerava, que a neve só tinha sido especial no começo e que depois de um tempo ela parecia tão normal quanto areia ou terra. Quando eles tiveram que deixar a cidade para voltar ao Brasil, perceberam o engano, mas já não era possível comentá-lo, pois aqueles homens feitos choravam como bebezinhos. Só não aconteceu comigo porque, por dentro, chorei um pouco todos os dias desde a chegada.
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__Fui um dos últimos estrangeiros a deixar o resort. Fiquei até o dia em que os hotéis fecharam as portas e a temperatura chegou a uns 8 graus positivos (que calor!). Deixei a cidade de carona com mais três trabalhadores. Nenhum floco de neve havia ficado para cobrir as montanhas e os campos que contornavam a estrada. Agora o mato queimado ia dando lugar a uma paisagem mais verde. Desejei conhecer as estações que viriam. Desejei e continuo desejando. Estou ligado àquele lugar justamente por esse desejo que não me deixou um dia sequer.

2 comentários:

Ulisses Wehby de Carvalho disse...

Belíssimo texto! Parabéns!

Abração

Maiara disse...

Foi extamente assim como vc pensou que pensei quando coloquei mesu pés nos EUA!
A saudade é enorme agora que estamos no Brasil...
Lendo seu post deu mais saudade ainda... Tb não chorei na minha ultima semana em fiquie na minha cidade (Dubois - WY, pertinho do Yellowstone Park!) mas por dentro chorava todos os dias, por ter q deixar amigos que conquistei por lá, deixar minha casinha, enfim parecia q o sonho estava terminando... talvez os momentos mais tristes foi qd me despedi dos meus chefes e de alguns amigos... porem era misturas de sentimentos, saudades da familia no brasil e vontade de continuar nos EUA... uma coisa inexplicavel...