sábado, 3 de novembro de 2007

Dinheiro brasileiro

__Mostrei para vários americanos as cédulas de real. Eles sempre ficam impressionados com as cores do nosso dinheiro. Acham incrível como cada nota pode ser de uma cor diferente. A nota de vinte, então! Um espetáculo!
__A ironia é que, no Brasil, quando os bandidos invadem a casa do cidadão e apontam armas para seus familiares, eles não dão a mínima para as cores do real. Eles pedem logo as verdinhas.

Loja de armas

__Eu andava pela rua principal de Bozeman quando passei na frente de uma loja de armas do tamanho de um supermercado. Entrei para matar a curiosidade. Uma pena eu não ter a máquina fotográfica comigo naquele dia. Nem tanto para tirar fotos da loja, mas do senhor simpático que, ao me ver olhando um revólver, perguntou:
__-Problemas com os vizinhos?

Mais uma do Dan

__Não gosto de contar histórias nojentas. Mas meu compromisso é retratar todos os elementos de um intercâmbio, incluindo os nojentos. O jeito é ser breve.
__Estou na minha cama lendo quando entra o Dan no quarto e me pergunta:
__-Renan, você viu meu chapéu de cagar?
__-O quê?
__-O chapéu que eu uso quando eu vou ao banheiro.
__-Ah não. Você tá brincando.
__-É sério!
__-Por quê você precisa de um chapéu para ir ao banheiro?
__-É pra ajudar na concentração. Facilita as coisas. Sem o chapéu, eu não consigo.
_
__Esse é o Dan, numa foto editada por ele próprio.
__
Você pode ler todas as histórias do Dan clicando aqui.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Jeitinho americano 8

__Lembram-se de quando eu disse que o Jeitinho americano 7 seria a última história de jeitinho americano? Eu menti.


__Para entender essa piada, você precisa ter assistido Comando para Matar.
_
__Do lado do primeiro alojamento onde morei em Big Sky, o Golden Eagle, havia uma academia. Para poder malhar lá, era preciso pagar uma mensalidade. Decidi não pagar pelo serviço, para ficar mais fácil recuperar o investimento que fiz na viagem. O preço que paguei por essa decisão foi ter que importar 14 quilos de gordura na minha volta ao Brasil.
__Um amigo americano, com quem convivi bastante, volta e meia me convidava para ir à academia com ele. Ele insistia para que eu começasse a pagar a mensalidade, mas eu nunca topei.
__Certo dia, caminhávamos para nossos trabalhos quando ele me disse:
__-Renan, tenho uma coisa aqui para você.
__Ele tirou uma chave eletrônica do bolso. Era a chave que ele usava para acessar a academia. Depois, tirou outra e apontou para mim:
__-Renan, consegui essa aqui para você.
__-É a chave da academia?
__-É sim. Achei no chão. Pega. É sua.
__Peguei a chave. Com ela, eu poderia acessar a academia quando quisesse, sem precisar pagar.
__Continuamos andando, enquanto eu segurava a chave e pensava numa forma de devolvê-la sem ferir os sentimentos do colega. Levei mais ou menos um minuto para bolar o que diria:
__-Sabe, colega... o Brasil está muito ruim hoje. Eu já te disse isso. Ninguém pode confiar em ninguém. Eu não quero colaborar para que essa situação piore. Claro que o Brasil não vai mudar por minha causa, mas você sabe. Eu gosto de fazer a minha parte. Não posso aceitar isso.
__Eu sei que eu não estava no Brasil. O que eu tentei dizer foi que ele deveria agir assim também, para não deixar os bons costumes daquela cidade se perderem.
__Ele pegou a chave de volta e disse:
__-Entendo.
__Eu defendi o meu argumento da maneira mais descontraída e simpática que pude. Mas não teve jeito. Ele ficou envergonhado, com cara de quem levou uma mijada do pai.
____Big Sky: sonho de férias e de aposentadoria.