quinta-feira, 26 de julho de 2007

Jackass

__Imbecil, tolo, idiota, pateta, estúpido e babaca são todas palavras que traduzem a expressão jackass. Jackass é também o nome de um programa de humor - péssimo - exibido pela MTV americana, onde jovens de até 25 anos cortam-se com facas, jogam-se contra postes, comem fezes e bebem urina. Você que está lendo este post já deve imaginar que essa porcaria virou filme, faturou dezenas de milhões de dólares nos cinemas e ganhou uma seqüência que liderou as bilheterias dos EUA. Não é necessário quantificar a receita que o filme gerou oferecendo lixo. Por alguma razão, você já sabe que não é mentira.
__A razão de eu ter tocado no assunto é que eu conheci um jackass ao trabalhar na recepção do Huntley Lodge, no Big Sky Resort.
__Entre as 10 e 11 daquela noite, eu experimentava o maior tédio de toda a minha vida. Estava completamente sozinho atrás do balcão, sem acesso à internet, sem jornal, sem livro, sem cadeira para me sentar, cansado de escrever para o meu livro, com sono e vivendo uma monotonia que me levou a fazer uma idiotisse: jogar elastiquinhos contra a parede. Eu sabia que isso era algo ridículo de se fazer numa recepção de hotel, mas eu estava enlouquecendo e não tinha nenhuma bola de vôlei para fazer um rosto desenhado com sangue, igual ao do filme Náufrago. Para o meu azar, um jackass que passava por ali me pegou no flagra logo no primeiro elastiquinho. Ele me perguntou:
__-Ei, cara! Você está entendiado aí?
__-Não, por quê? Eu pareço um cara entediado? He, he! É claro que eu estou entediado!
__-Eu posso ver isso! Você jogando elastiquinho aí... ha, ha, ha! Que ridículo! Eu vi e não acreditei! Eu falei pra mim mesmo: "Olha o cara ali, jogando elastiquinho!"
__-Vem aqui no meu lugar e deixa eu dar uma volta.
__Ele era um homem gordo de cabelo curto usando uma camiseta vermelha colada na pele e bermuda. Devia ter uns trinta anos. Era provavelmente um hóspede sem sono perambulando pelo hotel a procura de alguém para conversar. Olhou para o meu balcão, onde havia quatro computadores, e disse:
__-Quanto computador, hein? Eu odeio computadores. Você tem um?
__-Tenho. Comprei um há pouco tempo.
__-Se você quiser eu posso matá-lo.
__-Matar o meu computador?
__-É. Eu gosto de atirar neles.
__-Sério?
__-Sim! Eu já atirei no meu com um rifle.
__-No meu computador eu não quero que você atire. Mas você pode atirar nesses aqui. Tem quatro e estão enfileirados.
__-Eu mato todos eles com um tiro! Eu adoro atirar nas coisas. Eu já atirei no meu dedão do pé.
__-Ah tá!
__-É sério!
__-E por que você fez isso?
__-Para ver se dói.
__-E dói?
__-Dói mesmo! Eu mirei no meu dedão com o rifle e pum!
__-Você é um gênio!
__-He, he, he! Eu sei! Eu também já cauterizei meu dedo. Eu trabalhava numa fábrica e deixei meu polegar em carne viva quando eu estava mexendo numa máquina. Daí eu chamei minha amiga pra me ver fazer uma coisa. Eu encostei o dedo num ferro laranja de tão quente e daí sarou. Depois me mandaram embora porque fui pego no teste de drogas.
__-Não acredito!
__-É verdade! E eu também matei meu despertador. O desgraçado despertava sempre na hora errada. Fui com ele para o quintal e dei um tiro nele. O vizinho veio ver o que estava acontecendo. Expliquei que eu tive que matar meu despertador. Toda noite eu dizia para ele: "Despertador, eu vou te matar." Ele não acreditou em mim. Depois que eu atirei nele, comprei um novo, fui com ele para o quintal, mostrei-lhe o despertador morto e disse: "Olha ali o seu amiguinho. Se você não funcionar, eu mato você também.
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