sexta-feira, 20 de julho de 2007

Quedinha pelo sotaque brasileiro

_]As agências de intercâmbio costumam oferecer uma preparação psicológica aos seus intercambistas antes do embarque para o exterior. Um dos temas abordados nessa preparação é o namoro. É que muitas namoradas e namorados surtam quando seus companheiros estão num programa Work and Travel. Existe a idéia de que as americanas têm uma queda pelo sotaque brasileiro. Eu já tinha ouvido essa história várias vezes antes de viajar para os Estados Unidos e tinha duvidado. Agora, não duvido mais.
__Eu estava trabalhando no hotel Mountain Inn quando três mulheres, aparentando uns 30 anos, vieram até a recepção. Uma delas falou:
__-Gostaríamos de fazer o check in.
__-Ok. Só preciso do seu cartão de crédito.
__-De onde você é?
__Quem leu o último post já sabe o que aconteceu depois:
__-Eu sou do Brasil.
__As três gritaram ao mesmo tempo, sorrindo e de olhos arregalados:
__-Brasil! Ai, Brasil!
__Depois que expliquei as vantagens do hotel, elas se sentaram num dos bancos do lobby e ficaram conversando. O telefone da recepção tocou:
__-Mountain Inn, aqui é Renan. Como posso ajudar?
__Era uma mulher querendo fazer uma reserva. Enquanto eu conversava no telefone, as três mulheres que eu acabara de receber ficavam cochichando:
__-Ele é do Brasil!
__Elas me olharam todo o tempo que fiquei falando no telefone. Uma delas dizia bem baixinho:
__-Ai! Não pára de falar.
__Menos de uma hora depois, novamente sozinho na recepção, toca o telefone. Era outra mulher tentando reservar um quarto. Peguei seu endereço e seu cartão de crédito.
__-Ok. Seu pagamento está confirmado. O check in é às 4 da tarde.
__-Muito obrigado. Que sotaque lindo! Adorei falar com você!
__Histórias semelhantes aconteceram praticamente todos os dias durante quatro meses.
_

__Meu local de trabalho no Mountain Inn.


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Americanos que gostam do Brasil - Parte 2

__Eu estava trabalhando na recepção do hotel Mountain Inn quando um casal apareceu:
__-Como posso ajudá-los?
__-Gostaríamos de fazer o check in.
__-Ok. Vamos lá.
__Eles aparentavam ter uns 45 anos. Depois que eu peguei o cartão de crédito e pedi que assinassem um papel, o senhor me perguntou:
__-De onde você é?
__-Do Brasil.
__Os dois gritaram juntos, sorrindo:
__-Brasil!
__-Isso.
__-Maravilha!
__Devia ser a trigésima vez que isso acontecia comigo. Eu já estava começando a me sentir o tal só por ser do Brasil, algo que não deveria acontecer (falo sobre isso no post orgulho de ser branco). Perguntei para o casal:
__-Por que é que isso acontece? Sempre que digo que sou do Brasil, o pessoal daqui grita, sorri, comenta... pode me explicar isso?
__-É que o Brasil tem algo de romântico. É um povo legal.
_
___Mountain Inn

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quinta-feira, 19 de julho de 2007

Americanos que gostam do Brasil - Parte 1

__Eu estava fazendo o check in de um hóspede americano no Huntley Lodge, lá pelas quatro da tarde.
__-Como posso ajudá-lo, senhor?
__-Eu tenho uma reserva. Ei! Você é do Brasil?
__Eu usava um crachá onde estava escrito o meu nome e o meu país.
__-Sim.
__-Maravilha! Sabe... ganhei uma garrafa de licor de açaí, que está aqui comigo. Você conhece açaí?
__-Sim. É algo bem popular em várias regiões do Brasil.
__-É bem saudável, não é?
__-Parece que sim.
__-Eu soube que vocês também fazem uma bebida de uma coisa chamada guaraná.
__-É. Tem até refrigerante.
__Gravei as informações do seu cartão de crédito no computador e lhe dei as chaves do quarto.
__Ele saiu e voltou umas duas horas depois.
__-E então, meu amigo brasileiro? Como é que vai?
__-Vou bem, e você?
__-Ótimo. Diga-me uma coisa: e o Silva?
__-Que Silva?
__-O Silva, do Brasil.
__-Silva?
__-É, o presidente.
__-Silva... na verdade o nosso presidente se chama Lula. Ah, sim! Entendi. É isso mesmo. Silva é o último nome dele.
__-Vocês não usam o último nome do presidente?
__-Não. Na verdade, tratamos quase todo mundo pelo primeiro nome.
__-Que interessante! Então é assim que vocês fazem no Brasil.
__-Isso.
__-E o Chavez? O pessoal gosta dele lá?
__-Há muitos simpatizantes do Chavez no Brasil. Mas não sei te dizer qual é a porcentagem da população que gosta do governo da Venezuela.
__-O Silva também é de esquerda?
__-É.
__-Mais que o Chavez?
__-Não. Chavez é bem mais de esquerda.
__-Eu tenho lido que a esquerda brasileira se sente traída pelo Silva.
__-Uma parte da esquerda sim. É que ele seguiu uma política econômica bem parecida com a do último presidente, tida como de direita. Mesmo assim, ele continua muito popular. Acabou de ser reeleito, mesmo depois de um escândalo de corrupção que manchou seu partido e os partidos aliados.
__-Entendi. Então ele não é como o Chavez. O Chavez é o novo Castro.
__-Chavez tem jeito para ditador.
__-E a América-Latina toda está indo nesse caminho?
__-Da ditadura?
__-Da esquerda.
__-Parece que sim.
__O hóspede saiu para jantar. Mais tarde, lá pelas 10 da noite, ele me telefonou do seu quarto:
__-Recepção. Como posso ajudá-lo?
__-É o brasileiro?
__-Sou eu mesmo.
__-Oi. Tem uns homens aqui no corredor bebendo e gritando. Tem gente bebendo e gritando nos quartos também. Vocês poderiam fazer algo quanto a isso?
__-Sim. Os seguranças estarão aí em alguns minutos.
__-Obrigado.
__Chamei os seguranças pelo rádio. Depois de quase uma hora, telefonei para o quarto do hóspede para ver se estava tudo bem.
__-Senhor, ainda tem gente bebendo e gritando aí perto?
__-Não. Os seguranças falaram com aqueles homens e depois vieram me perguntar se estava tudo bem. Mas os seguranças não são tão legais quanto os brasileiros.
__Alguns dias depois, aquele senhor estava deixando o hotel e apareceu na recepção com a garrafa de licor de açaí:
__-Olha que desperdício! Coloquei a bebida no congelador e deixei tempo demais. Ela congelou. Agora ela não está a mesma coisa. Vou ver se consigo por aí uma bebida daquele guaraná.
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_Dia de ventania e neve no Big Sky Resort. O espaço aberto congela mais rápido do que congelador.

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terça-feira, 17 de julho de 2007

Clientes malas

__Eu estava trabalhando na recepção do Huntley Lodge/Shoshone às 7 da manhã quando uma hóspede me telefonou do seu quarto:
_

__Uma das entradas do Huntley Lodge/Shoshone

__-Recepção. Como posso ajudar?
__-Uma voz sonolenta e aborrecida respondeu:
__-Você poderia pedir para o senhor do quarto 341 controlar a sua criança?
__-A criança está no corredor?
__-Não sei. Só sei que está gritando.
__-Ok. Vou ver o que posso fazer.
__Esse é o tipo de situação da qual você não sai deixando felizes todos os envolvidos. Eu não sabia quantos anos tinha a criança que estava gritando. Se fosse uma criança crescida, não adiantaria muito falar com o seu pai. Se um pai deixa seu filho crescido gritar às 7 da manhã e acordar os hóspedes do quarto vizinho, poderia eu esperar que ele tomasse alguma atitude para educar a criança? E se fosse um bebê com alguma cólica ou coisa parecida, porque eu deveria esperar que seu pai fosse capaz de fazê-lo parar de chorar? Um dos dois hóspedes deixaria o hotel insatisfeito esta manhã.
__Liguei para o quarto 341:
__-Bom dia, senhor. Tive alguns hóspedes me telefonando para saber se existe alguém gritando no seu quarto.
__Era mentira. Eu recebera apenas um telefonema. O pai da criança respondeu:
__-Bem, se eu pudesse fazer algo para o meu bebê parar de chorar, eu faria.
__Se eu não tive o prazer de deixar os hóspedes contentes, tive o prazer de perceber que a reação do pai da criança teve a reação que eu previra.
__-Então é um bebê. Tudo bem, senhor. Perdão pelo incômodo.
__Cinco minutos depois, lá estava o pai do bebê na recepção para cobrar satisfação, praticamente gritando:
__-Foi você quem me ligou reclamando do meu bebê?
__O modo educado com que falara com ele pelo telefone provavelmente o fizera pensar que eu seria a vítima do seu mau humor matinal. Respondi firme e alto, olhando nos olhos, quase como num desafio:
__-Sim, eu liguei.
__O senhor se assustou e resolveu falar mais baixo e mais respeitosamente:
__-Mande os reclamantes me ligarem na próxima vez. Meu bebê está doente. O que eu posso fazer?
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