sábado, 12 de maio de 2007

O Tombo - A Revanche

E Caio vai para mais uma tentativa de executar o Inigualável.

As tentativas anteriores de se executar o Inigualável podem ser vistas nos links abaixo:
http://viagemeua.blogspot.com/2007/03/nao-e-facil-assim.html
http://viagemeua.blogspot.com/2007/03/o-tombo_04.html

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Jeitinho americano número 2 a número 5

__A razão pela qual os personagens das histórias a seguir não foram identificados foi explicada no post_Identidades Protegidas.

Jeitinho americano 2

__Visito um colega de trabalho americano no seu alojamento.
__-Hey, Renan. Wuz up?
__-E aí? Você tem um copo aí? Estou morrendo de sede.
__Ele me alcança um copo de vidro, que era muito bonito. Fiquei observando o copo, tão mais caro do que os copos de plástico ou isopor que meus colegas intercambistas usavam. O conhecido me pergunta:
__-Gostou do copo?
__-Sim. Muito legal.
__-Roubei do Huntley Hotel. Eles têm muitos. Não vai fazer falta. Agora estou pensando em descolar um cobertor.

Jeitinho americano 3

__O cliente chega para o Miguel no Ticket Sales:
__-Senhor, eu tenho uma menina de doze anos aqui. Eu queria um ingresso para mim e um para ela.
__-Ok. O ingresso para adulto é sessenta e nove dólares e o ingresso para a sua filha é... quantos anos mesmo tem a sua filha?
__-Até quantos anos o ingresso é livre?
__-Dez.
__-Então... eu quero um ingresso adulto para mim e um ingresso para a minha filha de dez anos.

Jeitinho americano 4

__Uma garota se aproxima da minha janela no Ticket Sales.
__-Um ingresso, por favor.
__-Qual a sua idade?
__-Vinte e dois. Por quê?
__-É que menores de vinte e um têm desconto.
__Ela deu uma risadinha e me olhou de canto. Com a mão direita ela começou a enrolar as pontas dos cabelos louros nos seus dedos. Então ela virou o corpo para os lados numa dança e me disse numa voz cantada, me olhando nos olhos:
__-Eu posso ter menos de 21 se você quiser.
__Continuou me olhando e sorrindo, mas não adiantou. Foi cobrada pelo preço de maiores de 21. Não custa tentar, né?

Jeitinho americano 5

__O cliente chega na janela do Miguel no Ticket Sales e pede:
__-Um ingresso júnior, por favor.
__-Quantos anos você tem?
__-Tenho 21.
__-Posso ver sua identidade?
__-Ah! Desculpa... tenho 25.

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__Essas são apenas algumas das milhares de tentivas de se dar bem no Ticket Sales. Os clientes tentavam dar esses jeitinhos todo santo dia, sem exceção.
__Certa vez, logo depois de um cliente tentar uma dessas com um dos colegas, não me lembro quem, eu disse bem alto:
__-É por isso que esse país não vai pra frente!
__Já que eu disse isso tantas vezes no Brasil, eu tinha que repetir a frase aqui nos Estados Unidos em circunstâncias semelhantes.
__O João, rindo de mim junto com o Caio Velho, falou:
__-Exatamente! Essa é a razão de todo esse atraso!
__O Caio concordou.
__-De todo o subdesenvolvimento!
__Well, se as pessoas aqui tentam dar jeitinhos como esses a toda hora e elas vivem no país mais poderoso da história, os brasileiros só têm a ganhar. Se nós gostamos tanto do jeitinho como se fala, nós somos a superpotência do amanhã!

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Jeitinhos internacionais

__A razão pela qual os personagens das histórias a seguir não foram identificados foi explicada no post_Identidades Protegidas.


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Jeitinho peruano

__Eu estava tomando café da manhã com o Dan na cafeteria quando uma peruana sentou entre eu e ele e falou:
__-Dan, você conhece alguém que trabalha no Ticket Sales?
__Essa guria obviamente não era uma profissional do ramo dos jeitinhos. Eu já estava rindo da sua fala decorada e achei mais graça ainda na expressão falsa de surpresa no seu rosto quando o Dan respondeu:
__-O Renan trabalha no Ticket Sales! Esse cara aqui, ó.
__Ela tentou me olhar como se nunca tivesse me visto no resort durante todo o mês em que eu já trabalhara lá.
__-Você trabalha no Ticket Sales?
__Fiz que sim com a cabeça.
__-Putz! Que legal! Você me consegue uns ingressos de graça?
__Fiz que não com a cabeça.

Jeitinho colombiano

__Eu estava trabalhando como Front Desk num hotel chamado Mountain Inn. Eu ficava na bancada de recepção do hotel, efetuando os pagamentos dos hóspedes, esclarecendo suas dúvidas e fazendo reservas pessoalmente ou por telefone. Um dos camareiros desse hotel era colombiano, e veio falar comigo quando não havia ninguém por perto.
__-Renan, vou te pedir uma coisa e você não pode dizer não.
__-Ok.
__-Você separa um quarto para eu dormir com uma mulher aqui de noite, sem minha chefe saber?
__-Não.
__-Please, Buddy!
__-Não. Sem chances.
__-Por quê?
__-Porque não tem como.
__-Por que não?
__-Porque não.
__-Eu sou camareiro. Eu limpo o quarto no dia seguinte e ninguém vai saber.
__-Não.

Jeitinho chileno

__Eu estava morto de cansado. Há mais de sete dias eu trabalhava todas as manhãs e noites. Eu apreciava depois de um bom tempo o prazer de descer a montanha, chegar no Golden Eagle ao anoitecer, caminhar até o meu quarto com o vento me empurrando, para finalmente passar pela porta, tomar meu banho, comer uma porcaria qualquer e me jogar na cama.
__Meu trajeto de prazer terminou do lado de fora do quarto. A porta estava trancada. Há duas semanas o Dan perdera a sua chave. Ele jurava que não tinha perdido a minha chave também, mas a última vez que a vira fora com ele.
__As portas dos alojamentos podem ser trancadas sem necessidade de chave. Para isso, basta pressionar um botão da maçaneta antes de se sair do quarto. Não adiantaria esperar pelo Dan para resolver o problema, já que ele não tinha a chave. Fui ao escritório do gerente do Golden Eagle, que estava vazio. Bati na porta do quarto onde ele morava e falei com seu colega de quarto, que não sabia onde o gerente estava. Resolvi me abrigar um pouco no quarto de um colega chileno, pois o frio já estava demais para mim.
__-Colega, me ferrei! Estou trancado do lado de fora. Me dá uma dica.
__Ele me contou de um morador que conseguia abrir sua porta com um cartão. Tentei sem sucesso fazer a mesma coisa na porta do meu quarto. Mas de jeito nenhum deixaria de descansar na minha cama depois de uma semana de sufoco.
__Voltei ao quarto do chileno.
__-Colega, me empresta uma faca.
__Ele me emprestou uma dessas facas de cortar pão. Com ela, eu mataria o Dan, o gerente do Golden Eagle e depois cortaria os pulsos.
__Brincadeirinha! Eu não cortaria os pulsos depois de mais de sete dias de trabalho duro, ou eu não poderia curtir a minha cama! No máximo eu mataria o Dan e o gerente do Golden Eagle.
__Fui com a faca até a frente da janela do meu quarto. Coloquei a faca no chão e enfiei minhas unhas no pescoço do Dan... digo, no milimétrico espaço entre a madeira que protegia o vidro da janela e a parede. Puxei com força até conseguir um espaço maior para colocar quatro dedos entre a parede e a madeira. Puxava-a, depois empurrava-a e voltava a puxá-la, até ouvir um estalo, que bem poderia ser o som do pescoço do Dan quebrando, mas era o som da madeira quebrando e se descolando da dobradiça. Agora, para entrar no quarto eu só precisaria cortar a tela protetora contra insetos. Peguei a faca e, antes de fazer um buraco na tela, vi que a faca estava vermelha. No chão havia uma círculo de sangue do tamanho de uma tampa de lata de achocolatado. Infelizmente, não era o sangue do Dan! O corte era no meu dedo, feito não com a faca, mas com uma lasca de madeira da janela. Fiz um furo na tela e entrei no quarto. Destranquei a porta e voltei para o quarto do chileno.
__-Colega, desculpa. Não vou poder te devolver a faca. Ela está ensangüentada.
__-Não esquenta não. Eu roubo outra amanhã.
__Ele e seu colega de quarto, também chileno, caíram na risada.
__-Quer dizer que você rouba facas, é?
__-Não só facas.
__Ele apontou com a cabeça para a pia. Copos, panelas e talheres, todos roubados do restaurante onde ele trabalhava. No seu rosto, aquela cara de Gérson.

Jeitinho argentino

__Bellmen são os empregados dos hotéis responsáveis por transportar as bagagens dos hóspedes, além de lhes dar carona quando pedirem. Para poder levar as malas dos hóspedes aos seus respectivos quartos, os bellmen carregam consigo chaves mestras, que dão acesso a qualquer quarto.
__Só conheci um bellman que não era americano. Ele era argentino, e começou a trabalhar como bellman no meio do inverno. O emprego não durou muito. Foi demitido depois de ser pego roubando pertences dos quartos dos hóspedes.

Jeitinho indonésio

__Sento ao lado de um conhecido indonésio no ônibus para o resort.
__-Renan, eu preciso te pedir uma coisa.
__Que colega bacana! Sempre sorrindo para todo mundo, tratando todos com respeito e simpatia. Era o carisma em pessoa. Os colegas poderiam se mostrar menos dignos de confiança do que aparentavam no começo do intercâmbio, mas este seria sempre o bom honesto que sobra para dar esperanças aos que acham que o mundo ainda tem jeito.
__-Yeah, dude (sim, cara)!
__-Preciso que você consiga uns ingressos grátis para mim no Ticket Sales.
__Colega desgraçado, sem vergonha, filho da puta!
__-Hum.
__-Mas eu não quero ir lá pegar na sua janela, porque vão me descobrir. Então você imprime o ingresso e a gente combina uma hora para você me entregar lá no banheiro.
__Essa era a minha maior decepção entre os conhecidos até então. Aquele colega, que todos os dias parava de fazer o que estava fazendo para rezar três vezes voltado para Meca, e que nunca começava uma refeição sem agradecer ao seu deus pelo alimento, sempre atencioso e prestativo com todos, agora me pedia que eu descolasse um ingresso por fora e ainda fosse lhe entregar no banheiro, sendo que ele tinha direito a esquiar de graça, contanto que pagasse um depósito reembolsável de 200 dólares.
__-Por que você não paga o depósito? Você é empregado e pode esquisar de graça.
__-Não, não! Eu não quero pagar.
__Não quis lhe dar uma lição de moral na frente de todo mundo no ônibus. Resolvi que esperaria até chegarmos no resort para lhe dar a minha resposta.
__Chegamos na primeira parada do resort, onde ele sempre descia. Eu geralmente descia na segunda, mas, dessa vez, desci com ele na primeira e entramos no corredor do resort que levava ao lobby do hotel. Enquanto andávamos, comecei a conversa:
__-Colega, não vou poder te dar o ingresso.
__-Ué? Por que não?
__-São os meus valores.
__-It's ok. Don't worry, man.
__-Te vejo aí.
__-Bye.
__Ele entrou na sala onde trabalhava, enquanto eu segui para o Ticket Sales. Ele continuava com aquele olhar carismático no rosto, que estava sempre lá entre cada conversa, cada reza e, agora eu sabia, entre cada falcatrua.

Jeitinho brasileiro

__Não tenho nenhuma história sobre jeitinho brasileiro para contar. O povo brasileiro é um povo que não rouba e não deixa roubar. O jeitinho é algo que nunca foi nem nunca será tolerado na terra da ordem e do progresso.




Jeitinho americano

__Os americanos foram as pessoas com quem mais convivi no resort. Por isso, há várias histórias de jeitinho para se contar a respeito deles e elas serão reunidas nos posts que estão por vir.

Identidades protegidas

__Meu primeiro livro será a respeito da viagem de intercâmbio descrita nesse blog. Cada um dos posts detalha o que aconteceu comigo nos EUA e as reflexões que tive enquanto morei nesse país. É como se as pessoas pudessem ver o livro sendo escrito em tempo real.
__Escrevendo nesse blog, eu poderia contar um podre de alguma pessoa e depois me arrepender por ter revelado sua identidade. Essa é uma das razões de eu descrever os acontecimentos com certo atraso. Todos os dias eu escrevo uma parte do meu diário de viagem. Tempos depois, eu leio o que escrevi e penso se não estou para tornar públicas informações que não tenho o direito de espalhar. Só então o que está no diário vira post.
__Assim, esconderei por hora a identidade de conhecidos dos EUA que tomaram atitudes que quero descrever mas que, creio eu, podem denegrir sua imagem se publicadas na internet. Às vezes, deixarei de apresentar colegas de trabalho e conhecidos só para poder falar de suas posturas sem correr o risco de identificá-los e expô-los.
__Uma vez que o intercâmbio cultural tem o objetivo de fazer com que pessoas de diferentes culturas se encontrem, o blog de um intercambista tem que descrever o modo como as pessoas de diferentes países se comportam. A razão de eu contar o que colegas de vários países fizeram é dividir com o leitor do blog as surpresas que tive convivendo com pessoas de várias partes do mundo.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Segunda parte do intercâmbio

__Alguns leitores do blog me perguntaram se eu continuo em Big Sky. Meu período de trabalho em Big Sky terminou no dia 15 de abril. Tenho direito de ficar nos EUA até 15 de maio, mas sem trabalhar. Pedi uma mudança de status do meu visto e, por isso, posso ficar até o dia 15 de junho. Agora, estou vivendo em Silver City, no Estado do Novo México, na casa do casal de amigos Eddy e Darlene.
__Logo abaixo, uma foto da paisagem da cidade onde estou agora. Eddy descreve essa região como miles and miles of miles and miles.



terça-feira, 8 de maio de 2007

Devo visitar o Brasil?

__Eu trabalhava checando ingressos em algum dia de janeiro quando um skier me perguntou, em inglês:
__-De onde você é?
__Eu ainda não havia pedido pelo seu ingresso, nem falara com qualquer pessoa próxima a ele. Portanto, não fora pelo sotaque que ele percebera que eu era estrangeiro.
__-Como você sabe que eu não sou daqui?
__-Na verdade, eu não sabia que você não era daqui. Só quis começar uma conversa.
__-Ah... ok. Eu sou do Brasil.
__-Eu queria visitar o Brasil, mas está tudo muito violento por lá.
__-É verdade. Está mesmo.
__-E aí? Você acha que eu devo ir ao Brasil ou não?
__Viver uma rotina de paz foi uma das melhores partes da minha experiência como intercambista. Poder pegar o ônibus a qualquer hora e em qualquer lugar, chegar em casa a qualquer momento da noite, caminhar pela rua na maior escuridão, não precisar trancar a porta do alojamento... eu vivia a rotina que sonho que o Brasil possa ter um dia.
__Correr riscos tão altos de se perder a vida na mão de um assaltante sempre foi o que pesou mais nas minhas reflexões sobre sair definitivamente do Brasil. Disciplina pode atenuar muitos dos problemas com que os brasileiros convivem: adotar uma dieta saudável e exercitar-se regularmente pode evitar ter que enfrentar uma fila de hospital público; estudar muito pode garantir uma vaga numa universidade pública de qualidade; poupar pode garantir recursos para uma aposentadoria tranqüila e independente da miséria paga pelo INSS, ou pode resultar num bom capital inicial para quem não tem alternativa a não ser abrir um negócio depois de perder o emprego. Esses são todos problemas que acreditamos poder resolver com esforço e trabalho duro. Mas o que se pode fazer para se sentir seguro quanto à vida? Latrocínios acontecem dentro dos ônibus, dos bancos, na frente das universidades e das escolas. Bandidos pulam portões e arrombam portas de casas, invadem prédios e fazem dezenas de reféns dentro de seus apartamentos, atiram em policiais dentro de shopping centers. O Brasil é o país onde nasceu o seqüestro-relâmpago, o arrastão e onde o clima de medo tornou o cidadão vulnerável a um golpe tão grosseiro como o disque-seqüestro. E agora aquele americano preocupado com a violência brasileira me perguntava se era uma boa idéia visitar o meu país. Poderia eu dizer a ele que sim? Eu, que tantas vezes pensei em abandonar meu país por causa do perigo de se andar pelas ruas, mesmo que de dia? Respondi:
__-Não. Não visite o Brasil.
__O americano caiu na risada e pegou o teleférico. Meu colega de trabalho estava a alguns metros de mim, mas ouvira toda a conversa.
__-Renan, você está louco? Você confirma o que o cara diz! Não é tão perigoso assim. Você tem que fazer uma imagem boa do seu país.
__-Não. Tenho que dizer a verdade.
__Tenho que ser honesto ao descrever o meu país, mas não passei a imagem correta àquele americano. Mais de 3 milhões de estrangeiros visitam o Brasil anualmente e voltam inteiros aos seus países. Assim como acontecia com assaltos a brasileiros no passado, assaltos a turistas ainda aparecem nos noticiários, justamente por não serem tão freqüentes assim. Disse o que disse àquele americano por estar confuso ao viver num dos cantos mais seguros do mundo após ter vivido num dos cantos mais perigosos do mundo. O que lhe fazia ter medo de visitar o Brasil era justamente o que me faz ter medo de ficar no Brasil, e eu falhei em ser racional na hora de responder sua pergunta.
__Nos meses seguintes, quando me perguntaram se seria muito perigoso visitar o Brasil, respondi:
__-Você precisa saber aonde vai. Peça dicas aos guias locais para saber aonde você pode ir e aonde você não pode ir, e em quais horários. De preferência, tenha um amigo brasileiro com você, e não use relógios caros, roupas caras e brincos caros.
__É assim que vivo minha vida no Brasil. Ando atentamente e sem pertences pelas ruas. Sei em quais lugares eu posso andar com certa tranqüilidade, mas sempre com uma mão protegendo a carteira. Sei em quais lugares devo passar correndo e somente em caso de extrema necessidade, e sei em quais lugares não posso estar em hipótese alguma. Só depois de aconselhar muitos americanos a procederem dessa forma é que fui pensar em quantos brasileiros podem ter sido vítimas da violência tomando esses mesmos cuidados. Quantos seriam? Nenhum, dezenas, centenas ou milhares?
__Se algum dia um estrangeiro lhe perguntar se ele deve visitar o Brasil, lembrar-se deste meu conto pode ser útil para se encontrar uma boa resposta. Lembre-se das precauções que eu tomo para chegar em casa vivo todos os dias, e então procure saber se eu ainda vivo ou se já fui vítima da violência desse país.

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Esse texto também pode ser lido no Recanto das Letras.

Mais dicas de intercâmbio

__A colega Maja Zaccara fechou há pouco tempo com uma agência de intercâmbio e está explicando sobre os documentos que os intercambistas precisam providenciar para viajar para os Estados Unidos no seu blog.
__Seu blog vai contar as histórias que vão rolar durante toda sua viagem de intercâmbio. Para conferir o que ela tem escrito, clique aqui.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Congelando

__No dia 7 de janeiro, depois de tomar-chimarrão paraguaio pela segunda vez, fui trabalhar checando ingressos a céu aberto.

Base do teleférico onde eu checava os ingressos

__Eu estava vestido com três calças, sendo uma térmica; uma bota impermeável, um par de meias térmicas, duas blusas de lã e duas jaquetas, uma camisa de mangas longas e uma camiseta térmica, um par de luvas, um protetor de pescoço e uma toca. Mesmo assim, o frio estava me congelando. Apenas trinta minutos depois de começar a trabalhar, as botas e as meias especiais já não ajudavam. Eu sentia a dor de estar pisando diretamente no gelo. As costas também começavam a doer depois de algum tempo, pois eu trabalhava com o corpo encolhido e levemente inclinado para frente. Dessa forma, eu me sentia um pouco menos exposto ao frio.
__Depois da primeira hora de trabalho, eu e meu colega Bruno não podíamos mais agüentar aquela temperatura.
__-Renan, entra lá no mall. Entra lá, fica dez minutos e depois vou eu.
__Assim nos revezamos até 1:30 da tarde, quando eu fui embora com uma baita dor nas costas. Como esse não era meu emprego principal, eu podia ir embora a hora que quisesse.
__O empregado que trabalha checando ingressos não precisa pagar pela sua moradia, o que garante uma economia de mais de 800 dólares em quatro meses. Lembre-se disso se você for tentar um emprego no Big Sky no próximo inverno. Mas lembre-se também de que o frio que você vai passar fazendo esse tipo de serviço pode ser desesperador!