sábado, 28 de abril de 2007

Fotos da universidade

__Continuação do post de ontem, Fotos que não saíram.

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__Eu e o Miguel chegamos em Bozeman às 5 da tarde, quando o céu já estava quase todo escuro. Descemos na MSU (Montana State University), onde resolvemos tirar umas fotos. A maioria ficou escura demais. Tive que dar uma clareada no computador.
Eu e o Miguel a caminho de Bozeman

__Antes da viagem, Miguel e eu demoramos para decidir se deveríamos passar a noite em Bozeman. Chegaríamos mortos para o trabalho no dia seguinte. Mas só o passeio pela universidade já valeu a pena. Os prédios da universidade ficam à esquerda e à direita do caminho que aparece nessa foto.

Miguel na frente de um dos prédios da universidade. O frio, como sempre, estava de congelar as orelhas.

Eu na frente de outro prédio da universidade
Miguel na frente de uma salsicha giratória.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Fotos que não saíram

__Na tarde do dia 7 de janeiro, eu e o Miguel saímos de Big Sky em direção a Bozeman. Queríamos jogar boliche, comer em alguma lanchonete de verdade, comprar alguma comida para a semana no Wall Mart e passar a noite por lá mesmo no Backpackers Hostel. Voltaríamos no ônibus das 5 da manhã para trabalhar no Ticket Sales a partir das 8.
__Pegamos o ônibus das 3:30 da tarde para Bozeman. Tentei fotografar a paisagem que beirava a estrada e fiquei chateado por as fotos terem ficado ruins por causa do movimento. Não consegui tirar boas fotos das montanhas cobertas de neve, nem do rio quase congelado que corria ao lado da estrada, nem dos campos de mato queimado pela temperatura congelante. Procurei não me deixar abalar muito por não ter conseguido as fotos que queria. Afinal, eu ainda tinha três meses de intercâmbio pela frente e teria muitas chances de fazer o mesmo caminho de carro com algum conhecido e então parar para fotografar as melhores vistas.
__Os meses se passaram, o resort ficou lotado de skiers, comprometi-me a trabalhar mais horas do que alguém deve aceitar para se manter saudável e nunca separei tempo para voltar à estrada de carro com alguém e tirar fotos das melhores vistas.
__É, colegas intercambistas... os quatro meses de trabalho passam rápido.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Grande improviso

__Assim que cheguei no Ticket Sales para trabalhar na manhã do dia 7 de janeiro, um colega me disse:
__-Renan, ontem foi aniversário do Jan.
__Jan era o meu chefe, que apareceria em alguns minutos na sala e nos daria oi, quando eu já deveria ter uma boa desculpa para ter deixado a data passar sem cumprimentá-lo.
__Quando o chefe chegou e me deu bom dia, iniciei o arroizamento:
__-Feliz aniversário, Jan!
__-Oh, obrigado!
__-No Brasil, nós damos os parabéns pelo aniversário um dia depois. É um costume nosso.
__-Oh, é mesmo?
__-Não. É que ontem eu não sabia que era seu aniversário. I'm sorry.
__Uma gargalhada geral entre os colegas anunciou a minha entrada para o seleto grupo de enroladores internacionais de chefes.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Intercâmbio escravo

__A reportagem de capa da revista Isto É do dia 4 de abril de 2007 trata do programa Work and Travel, que é o programa através do qual eu vim para os Estados Unidos.
__A matéria fala sobre o que chamou de "intercâmbio escravo", e citou o nome de algumas agências de intercâmbio que auxiliam os estudantes nas suas viagens para o exterior. Você pode ler a reportagem na íntegra clicando aqui.


__As empresas citadas na reportagem e a BELTA, associação de agências de intercâmbio brasileiras, rebateram as acusações feitas na revista Isto É através de alguns textos que podem ser lidos no blog Work Experience... Eu vou!
__Aconselho os estudantes e pais de estudantes interessados no programa Work and Travel a ler a matéria publicada pela revista e as cartas enviadas à Isto É pelas empresas acusadas. Muita boataria vai rolar depois do que foi dito e é bom verificar pessoalmente o que está sendo escrito sobre o assunto para não acabar acreditando nas fofocas que vão rolar por aí.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Motoristas doidos

__No post Bozeman - Parte III, falei do mórmom americano que falou em espanhol comigo antes de eu entrar no ônibus que ia de Bozeman para Big Sky.
__Naquele dia ele era um passageiro, mas na noite do dia 7 de janeiro ele era o motorista que levava os intercambistas do resort para o Golden Eagle. Quando ele era só um passageiro amigável que lia o livro Freakonomics no ônibus que vinha de Bozeman, eu nunca imaginaria que ele poderia ser a figura que vi quando entrei no ônibus para descer a montanha: jaqueta preta, bandana na cabeça e cara de mal. Na hora de o ônibus partir, ele se levantou do seu assento e foi para o meio do corredor:
__-Senhoras e senhores, meu nome é Chealsy e sou o motorista desse ônibus que vai para o Meadow Village e não pára no Moonlight Basin. Se alguém quer ir para o Moonlight, o próximo ônibus para lá estará aqui em alguns minutos. Nos vemos lá embaixo. O Rock and Roll já vai começar!
__Ele voltou ao volante e ligou o som bem alto. Mais ou menos no meio do caminho, a rádio começou a tocar Smell Like a Teen Spirit do Nirvana. Ele levou a rádio ao último volume e começou a chacoalhar a cabeça para frente e para trás.
__Certa manhã, ele era o motorista do ônibus que ia do Golden Eagle para o resort. Ele esperou todos entrarem no ônibus e disse:
__-Essa é para os meus amigos latinos!
__Ele ergueu o som, que tocava música latina, e ficou chacolhando a cabeça e fazendo cara de prazer.

Golden Eagle visto de cima do morro

__Chealsy mostrava já no começo das viagens de ônibus que era um cara barulhento. Bem diferente era o motorista cujo nome não sei, mas que vou chamar de “bigode”. Ele era um senhor com quase sessenta anos, muito simpático com os trabalhadores que entravam no ônibus na hora certa. Já para o pessoal atrasado que vinha correndo e gritando para o ônibus esperar só mais um pouquinho, ele dizia fazendo cara feia:
__-Você deveria acordar mais cedo!
__Uma vez que todos os intercambistas estavam no ônibus das 7:15 da manhã para o resort, ele tocava o ônibus todo alegre, com um sorrisão no rosto e, algumas vezes, assobiando. Nos últimos bancos do transporte as pessoas iam dormindo deitadas. Nos bancos mais à frente as pessoas iam sentadas, mas também dormiam. Então, sem mais nem menos, o bigode ligava o som no máximo volume, fazendo todo mundo tomar um susto e ficar sem entender o que estava acontecendo. Na primeira vez em que vi o cara fazer isso, a rádio informava a previsão do tempo. Na segunda vez, o bigode só estava querendo ouvir uma música do Nickelback. Quase todo santo dia ele surpreendia os passageiros ligando o som na potência máxima no meio da viagem, de modo que nem o colega ao lado podia ser ouvido. Certa vez, alguém gritou do fundo do ônibus:
__-Abaixe o volume!
__Quando estávamos quase chegando no resort, o bigode gritou:
__-Hey! O garoto que me mandou abaixar o volume, espere sentado até todo mundo sair do ônibus. Quero falar com você.

Ônibus parando na frente do resort.

__Adoraria saber o que foi que o bigode disse para o garoto.
__Dias mais tarde, quando ele parou o ônibus na frente do resort, ele não abriu a porta para os intercambistas descerem. Começou a gritar, louco da vida:
__-Eu não agüento mais falar isso! Quando vocês, senhores, virem alguma madame de pé no ônibus, façam o favor de ceder o seu lugar! Sejam pelo menos um pouco cavaleiros!
__Depois disso, ele abriu a porta do ônibus e disse “bom dia” gentilmente a cada um dos que desceram.
__João foi um dos caras que conseguiu bater um papo com o bigode. E adivinhem sobre o que o bigode gostava de conversar? Filosofia!

João, olhando profundamente para a batata Pringles e filosofando sobre ela.

__Tinha também o motorista que parava o ônibus duas vezes no caminho até a montanha para fumar e que, certa noite, apareceu no resort gritando, bêbado, com uma garrafa na mão. Dirigiu o ônibus só durante dezembro e janeiro. Não o vi depois disso.
__Havia também a motorista que gostava de ouvir música clássica. Era uma senhora de uns cinqüenta anos que foi minha motorista preferida até ela cometer uma barbeiragem ao me levar de ônibus para o resort. No meio do caminho, os motoristas paravam na frente de um lugar chamado Lone Mountain Ranch. Lá desciam alguns passageiros e subiam outros. Quando ela já estava deixando o lugar em direção ao resort, uma mulher que sentava no fundo do ônibus gritou uma pergunta. A motorista se virou para trás para responder a pergunta da mulher, mas resolveu continuar dirigindo o ônibus enquanto olhava para trás. Estávamos numa descida. Na nossa frente, uma pedestre tentava atravessar a rua. Em Big Sky e em Bozeman, os pedestres esperam que os motoristas dêem preferência para os que estão atravessando a rua, e nunca esperam que eles dirijam olhando para trás.
__Quando a motorista resolveu olhar para frente, já estava quase encima da moça. Felizmente, todos sobreviveram.
__Por último, tenho que falar da motorista de Porto Alegre. Sim, Porto Alegre de novo! Mora nos EUA há trinta anos e mal consegue falar português. Sempre que tenta, não pode conjugar os verbos corretamente. Perguntei certa vez para ela:
__-Quer dizer que você é de Porto Alegre?
__-É. Mas já estar aqui muito tempo. Português é difícil.
__-Você nunca voltou para lá?
__-Nunca voltou.

Motorista de Porto Alegre que mora nos EUA há trinta anos e já não consegue falar português.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Lembranças do Brasil

__Logo que entrei nos EUA pelo aeroporto de New York, tive que entrar numa fila e esperar alguns minutos até que uma das oficiais da imigração me chamasse para verificar meus documentos. Enquanto isso, eu ficava assistindo às notícias que a televisão mostrava. Uma delas era sobre a Daiane dos Santos, que acabava de ganhar uma medalha de ouro.
__Na manhã seguinte, fui a uma cafeteria em Bozeman, onde uma das quatro opções de café da manhã era “Brazilian Beans”.
__Um dia depois eu estava no ônibus para o trabalho em Big Sky e ouvi uma propaganda na rádio:
__-Venha tomar café do Brasil de graça no nosso mercado!
__Mais tarde naquele mesmo dia, eu estava assistindo televisão na sala de descanso dos housekeepers do resort. Na TV passava uma espécie de reality show de modelos, onde uma das mulheres usava uma camisa verde onde se lia “Brazil” em amarelo.
__Uma semana depois disso, resolvo perguntar para o Dan:
__-Qual a marca da sua arma?
__-Taurus.
__-Você tá de sacanagem, né?
__-Não. Tou falando sério.
__-Você sabe de onde é essa fábrica?
__Ele pega a arma e olha o país de onde a arma veio: Brasil!

domingo, 22 de abril de 2007

Pond Ski at Big Sky

_Mais um vídeo filmado por mim em Big Sky.
_No último vídeo, mostrei que quando o cara é bom, é bom até na água.
_Nesse vídeo, mostro que quando o cara é burro, é burro até na água.