sábado, 20 de janeiro de 2007

Embarque e decolagem

_____Dadas as circunstâncias e ironias que envolveram o meu comparecimento ao consulado para a obtenção do visto e a chegada do visto em Campinas, depois da chegada do prêmio da minha mãe - até agora não engoli essa (http://viagemeua.blogspot.com/2006/12/agonia-do-visto.html) -, não é qualquer história que eu conte sobre angústia pré-embarque que vai ter graça. Então, nem vou contar que saímos com quatro horas de antecedência de Campinas, pegamos um engarrafamento de trinta quilômetros, cheguei atrasado no aeroporto e acabei não podendo me despedir do meu pai como o planejado. Não vou contar. Vamos direto para o check in.
_____Cheguei no aeroporto e encontrei Fernanda, colega de intercâmbio desde a entrevista para a vaga do Foxwoods, e que também é colega da Bibiana, minha amada, na faculdade. Fomos ao balcão da nossa companhia aérea. A atendente pergunta se eu falo inglês. Digo que sim. Ela explica que, dependendo da fluência no inglês, a pessoa deve trocar de lugar no avião, pois, em algumas áreas, as aeromoças falam inglês. Resolve então testar minha habilidade na língua. Começa a fazer perguntas e a dar orientações em inglês. Nesse momento, me senti com um fora do Brasil. Não estava fácil entender o que aquela mulher dizia. Eu torcia para que, com o tempo, a minha compreensão do inglês melhorasse.
_____Terminado o check in, vou me despedir da minha , que me diz:
_____-Renan, a nossa família não é rica nem nada, mas nós sempre estaremos de braços abertos pra te receber.
_____-Que é isso, ? Eu sempre vou voltar.
_____É claro que eu vou. Enquanto ela fizer aquele feijãozinho com bacon e alho, eu sempre aparecerei.
_____Despeço-me do meu tio e vou com a Fernanda para a área de embarque internacional. dentro, ficamos batendo papo sobre as expectativas, sobre as diferenças que talvez perceberíamos entre o Brasil e os EUA pelos próximos meses e sobre as diferenças entre os povos dos diferentes Estados brasileiros.
_____Mesmo tendo conseguido o visto e estarmos apenas esperando pelo avião, eu não estava totalmente tranqüilo a respeito da viagem. Ainda teríamos que preencher formulários, passar pela imigração, solicitar o cartão do seguro social... nunca estamos certos de qual será a próxima encrenca.
_____Enquanto conversávamos, notei que as pessoas ao redor eram, na maioria, americanas. Fiquei mais à vontade para falar sobre o plano de viajar pelos Estados americanos, além de trabalhar em três empregos e, assim, poder comprar um laptop. Enquanto estive no Brasil me preparando para a viagem, não me sentia bem para falar desses assuntos, pois, para começar, mal se consegue manter um emprego no Brasil. O que dizer sobre se conseguir três empregos? E o que dizer sobre comprar um laptop que, numa configuração razoável, custa mais de nove meses de trabalho de um brasileiro? Tinha a sensação de que era ofensivo falar disso num ônibus, numa lanchonete ou onde fosse. Nos quatro meses em que pretendo ficar nos EUA, vou ter acesso diário a uma renda, a uma segurança e a uma dignidade com as quais grande parte dos brasileiros sonharão durante a vida toda, mas nunca alcançarão. Muita gente em dificuldades financeiras não acha graça em ver todo o elenco de uma novela falando sobre vinho, andando de helicóptero e dirigindo empresas. Passam o fim do mês imaginando como pagar a conta de luz. Como posso ficar falando de intercâmbio perto delas? Uma quantidade imensa de jovens não tem condições de estudar numa faculdade. Como posso falar sobre compra de laptop?
_____Naquela sala de embarque internacional, estavam somente as pessoas que tiveram chances, que conheceram ou, dentro de algumas horas, conheceriam um país diferente do seu. Pessoas que sabem o que é um país de primeiro e um de terceiro mundo. Ao redor delas, haviam pequenas lojas e lanchonetes, onde uma lata de Coca-cola chegava a 3 reais e um pãozinho de queijo era vendido a dois dólares. Não estávamos mais no Brasil. Não no Brasil que eu conheço.
_____Fernanda compra uma latinha de Coca de 3 reais. O portão de embarque se abre e nós passamos. Somos revistados por pessoas diferentes. Mas ela é impedida de passar com sua Coca. Ela faz questão de tomar a Coca mais cara de sua vida. Abre a Coca, toma e depois passa.
_____No avião, sentamos um ao lado do outro. Ao invés de aeromoças explicando os procedimentos de emergência, quem nos instruiu sobre como proceder em caso de acidente foi um vídeo, que passou nas telas que cada um dos passageiros tinha à sua frente. Nessa mesma tela, tínhamos um mapa e a localização do nosso avião.
_____O avião se dirigiu até a pista. Eu olhava pela janela, depois olhava para o mapa e observava o caminho a percorrer. O som das turbinas aumenta. O avião ganha velocidade e, em alguns segundos, estamos no ar, para pousarmos nos EUA.
_____Coloco um fone de ouvido e fico ouvindo uma rádio do avião, onde se toca jazz. , entrei no clima da viagem de uma vez. Longe de qualquer problema, num avião espaçoso e luxuoso, viajando para os EUA e ouvindo jazz. Senti vontade de dar risada. Segurei como pude.
_____Começa o serviço de bordo. Um senhor magrinho e careca, de óculos, pergunta, em um inglês de primeira, o que gostaríamos de comer. Não entendo exatamente as opções, mas escolho o de frango, seja o que for. Alguns minutos depois de sermos servidos, o senhor pergunta de onde somos. Dizemos que somos do Brasil. Daí, ele diz que também é. Caímos na risada. Ele diz que estava falando inglês porque achou que éramos italianos.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Meu lar americano


____É nessa casinha que eu moro. Tem quarenta quartos. Neles, vivem uns dez brasileiros e mais uma galera enorme da américa do sul. Também tem muita gente da África do Sul. Tem apenas um americano, que é o meu parceiro de quarto, o Dan.
____Morar com ele está me ajudando a aperfeiçoar o inglês muito rapidamente. Não sei se foi só sorte morar com ele. Quando estávamos no Brasil, o RH do Big Sky nos escreveu um e-mail perguntando se tínhamos preferência de parceiro de quarto. Muita gente respondeu que queria morar com algum amigo brasileiro. Eu respondi que queria morar com alguém que tivesse o inglês como primeira língua. Quando cheguei aqui, os três principais abrigos estavam lotados, incluindo o meu, e os intercambistas acabavam tendo que morar mais longe do Resort, em uns hotéis mais caros. Mas tinha essa vaga para morar com o americano no Golden Eagle, que ficou pra mim.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Caminho para casa

____A foto acima é da rua que leva de um supermercado da região até o Golden Eagle Lodge, lugar onde moro. Foi a melhor foto que bati até agora.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Conectado!

_____Ok! Fim da enrolação. No último post eu disse que meu roomate estava para receber seu computador. É que ele estava para ser visitado por uns amigos, que trariam um computador para ele. Só que eles amarelaram e não trouxeram nada. Acabei comprando um laptop baratinho e agora vou postar regularmente, como prometido.
_____Desde meu primeiro dia aqui nos EUA, tenho escrito tudo o que acontece num caderninho azul de cem folhas (que já está quase no fim). Tenho tudo registrado, e vou passá-lo a limpo a partir de hoje, em sequência (não tem trema nesse teclado) cronológica.
_____Como vou transcrever um dia de cada vez para o blog, só vou terminar o trabalho quando já estiver no Brasil.
_____Perdoem-me por ter deixado esse blog tanto tempo sem nada.