terça-feira, 19 de junho de 2007

Razões para se viajar com um seguro saúde

__Um dos intercambistas que descia de snowboard as montanhas cobertas de neve do Big Sky Resort todos os dias era um cara de Porto Alegre chamado João, que não é o João descrito no post 21 de dezembro - meu primeiro dia de trabalho, um cara de Minas Gerais que não queria saber de snowboard. O João de quem quero falar agora é o narrador do vídeo do Caio caindo (O Tombo).
__Assim que chegou nos Estados Unidos, a primeira coisa que o João fez foi comprar um snowboard. Já em Big Sky, ele não quis saber de aulas. Tratou de aprender a dominar a neve sozinho, descendo as montanhas com cuidado e jogando-se no chão sempre que começava a deslizar muito rápido. Em menos de uma semana de prática, ele ficou craque.
__Certo dia, eu ia do hotel onde trabalhava até a cafeteria quando o encontrei no caminho, andando muito devagar e mancando.
__-Fala, João velho! O que foi que aconteceu?
__-Ai, velho! Eu caí.
__-Sério? Na neve?
__-É.
__-Snowboard é fogo né?
__-Não, não foi snowboard. Eu fui correr atrás do ônibus e escorreguei na neve. Arregacei minha bunda no chão. Tá doendo pra...
__Algo semelhante aconteceu com um snowboarder chamado Felipe. Eu andava numa trilha que levava ao meu alojamento quando o vi andando com dificuldade na minha frente. Sua perna estava engessada.
__-Fala, Felipe! O que aconteceu?
__-Caí.
__-Snowboard?
__-Não. Eu estava tirando uma foto da minha turma, tropecei e caí no chão.
__-Que ironia, hein? Quatro meses fazendo snowboard e você cai tirando foto...
__A cara que ele fez mostrou que ele estava ouvindo aquilo pela infinitésima vez.
__-É, é... eu sei. Todo mundo está falando isso.
__Mais interessante ainda foi o caso de uma operadora de teleférico conhecida como Foucault, por ela gostar e falar muito dos pensamentos de Michel Foucault. Ela andava pela montanha em que trabalhava quando protagonizou uma cena de desenho animado ao pisar na ponta de uma pá de remoção de neve. O cabo da pá atingiu seu rosto, machucando seriamente o seu nariz e levando-a ao chão. Depois de um tempinho no hospital, ela já trabalhava alegre e saltitante como faxineira pelos corredores do hotel em que eu também trabalhava. Ela foi até a recepção onde eu estava e me contou a história da sua foucaultzada.
__Conversávamos eu, a Foucault e o Chris na recepção. Chris disse algo que, na hora, me deixou surpreso, mas que não sou capaz de me lembrar agora. Só me lembro que eu disse:
__-Cara! Você tá falando a verdade?
__A Foucault, com seu nariz ferido, dolorido e protuberante, quis dar uma nos meus dedos:
__-Não, Renan! Ele está mentindo. Olha o nariz dele.
__-Foucault, olha o seu nariz!
__-Renan, olha o meu dedo (mostrando o dedo do meio).


Não é na desafiadora montanha que os visitantes de Big Sky se machucam.

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