domingo, 1 de abril de 2007

Véspera de ano novo

__Na manhã do dia 31/12, os moradores do Golden Eagle encontraram pregados nas portas dos seus quartos alguns avisos sobre o que não se pode fazer no alojamento durante as festas de ano novo.

1 – Moradores que estiverem fazendo barulho no quarto depois das 10:00 da noite perderão o direito de morar no abrigo.
2 – Menores de 21 anos que forem pegos bebendo álcool passarão a noite na cadeia.
3 – Maiores de 21 que forem pegos bebendo álcool com menores serão presos e passarão três meses na cadeia.
4 – O xerife local inspecionará os abrigos para ver se as regras estão sendo respeitadas.

__A rotina do Ticket Sales foi a mesma de sempre nessa véspera de ano novo. O Miguel e o João insistiam para que eu fosse com eles numa festinha de virada de ano naquela noite. Seria na casa de uns amigos deles num bairro chamado Firelight, na base da montanha, próximo ao Hungry Moose. Esses amigos trabalhavam no Yellowstone Club, onde há um hotel voltado para clientes mais exigentes e para os famosos, e que é protegido por um sistema de segurança rígido. Lá, os empregados ganham o suficiente para pagar por moradias mais confortáveis.
__A fofoca que circula por aqui sobre o Yellowstone Club envolve o homem mais rico do mundo, Bill Gates. Comenta-se que ele tem uma casa no local, mas não se sabe qual é. No Yellowstone Club também está sendo construída a casa mais cara do planeta. Alguns dizem que é essa a casa que o Bill Gates está para comprar ou já comprou.
__O João viu fotos da construção da tal casa na televisão. Segundo ele, a casa não é nada demais. Ele brinca que a casa pode ser a mais cara do mundo por uma razão simples: Big Sky é uma cidade isolada dos EUA e, por isso, sai muito caro trazer os materiais de construção para cá.
__Acabei indo com o João e com o Miguel na tal festa. Eu realmente não estava com vontade de ir, mas eles usaram um artifício para me convencer: o abraço coletivo.
__O abraco coletivo, coisa do Miguel, é um abraço de vários colegas ao mesmo tempo em alguma pessoa. É uma ferramenta de convencimento poderosíssima. Faz pessoas tristes sorrirem e também faz pessoas irem a lugares aonde elas não querem ir. Foi por causa do abraço coletivo que fui à festa na qual não queria ter ido. Havia umas dez pessoas na casa. O pessoal ficou ouvindo música, conversando e bebendo. O abraço coletivo me forçou a ir, mas não conseguiu me fazer aproveitar o momento. Achei tudo entediante e fui embora menos de duas horas depois de chegar. Atitudes como essa explicam porque o apelido “Velhão” grudou tão fortemente em mim.
__Voltava andando para casa quando um ônibus parou perto de mim e o motorista me pediu para entrar. Ali dentro estavam alguns brasileiros que voltavam de uma festa que acontecia no resort. Também havia uma americana da idade dos intercambistas. Ela estava bêbada. Dizia que era de New York e perguntava de onde éramos. Antes de descer do ônibus, deu um abraço forte em um dos brasileiros que acabara de conhecer e nos desejou feliz ano novo.
__Cheguei no Golden Eagle lá pelas 11:00 da noite. Muita gente não levou os avisos sobre a música alta a sério. O som rolou até a madrugada, e eu não soube de punições para qualquer dos moradores. Empregados antigos do resort comentam que muito pouca gente foi presa essa ano.

Um comentário:

mamain disse...

Uma pena que o teu primeiro abraço coletivo teve objetivo negativo para ti(tu sempre sabe de ante mão se tu vais ou não gostar de algo).
A primeira vez que eu participei de um, faz um Ano mais ou menos, foi na casa da Vóvi(Vó das filhas de José Henrique), antes de irmos embora da casa dela, a Andy sugeriu este abraço, a velhinha ficou em estado de graça. Eu?, lógico que me emocionei, foi o meu primeiro abraço coletivo. Gostei.
Nunca mais dei um, mas estou preparando um bem grandão para ti filho, abraço coletivo de volta ao LAR....
Saudades com muitos beijos da Mamain que te AMA filho querido.