quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

21 de dezembro - primeiro dia de trabalho

__Meu roomate decide que não iremos com seu carro ao trabalho todos os dias, pois sua caminhonete bebe gasolina demais. Sendo assim, eu e ele precisamos pegar o ônibus das 7:15 da manhã. Abaixo, a foto da super máquina do Dan:

__Fomos para a frente do Golden Eagle, onde uma concentração de latinos esperava pelo ônibus, sendo a única presença americana a do meu roomate, Dan. Ele fica andando pelo estacionamento e fazendo bolas de neve, para depois jogá-las em mim.
__Entramos no ônibus. Durante os trinta minutos de viagem, escutei pessoas conversando em Português. Não se pode observar a paisagem, pois o dia só fica claro quando são quase 8 horas da manhã. Mesmo que o dia estivesse claro, dificilmente veríamos alguma coisa, pois todas as janelas estavam cobertas de terra.
__Hoje seria meu primeiro dia de treinamento no Ticket Sales, e da Karla também. Nosso chefe é um americano chamado Jan. Ele não diz uma palavra sem sorrir. Mostra profunda concentração no que o interlocutor diz durante uma conversa. Todos os colegas que conheceram essa figura têm simpatia imediata por ela. Pessoa agradabilíssima que esbanja carisma e respeito. É motivo de orgulho trabalhar com ele.


__Nosso treinamento seria apenas assistir aos colegas mais experientes vendendo os ingressos. Trabalham uns seis ao mesmo tempo. O local de trabalho pode ser visto nesta foto que postei esses dias: clique aqui.
__Um dos colegas se chama João. Ele é de Minas Gerais e tem 21 anos. É um estudante de economia na universidade federal de lá. Gosta de música country e de rock clássico. Nunca gasta dinheiro comendo nas lanchonetes do resort. Faz rancho em Bozeman de tempos em tempos e é da comida que ele compra lá que ele vive. Na hora de gastar com livros, ele não tem dó. Já comprou vinte desde que chegou nos EUA. Nos momentos de inspiração, escreve poesias. Gosta muito de urbanismo. Pretende fazer mestrado nos EUA, e pode ser que sua tese trate de favelas. É um defensor do socialismo. Tem o hábito de visitar centros budistas para meditar.
__Algumas de suas poesias estarão nesse website em breve: clique aqui.

__Um outro colega também é brasileiro e se chama Miguel. Mora no Rio de Janeiro e estuda economia na PUC. Quando o assunto é política, não se considera nem de esquerda, nem de direita. É da opinião de que o Brasil tem um bom sistema político, e que a razão para o nosso país ser o festival de corrupção que é hoje é a falta de interesse popular pelas questões de interesse coletivo. Não gosta de dar nome aos gêneros musicais. Não gosta de classificar as religiões e suas subdivisões. Não gosta de dar nome às escolas de pensamento. Na verdade, ele não gosta de dar nome às coisas. Só quando esse carioca pronuncia a letra “s” é que se percebe que ele é carioca, porque ele quase não usa as expressões e as gírias do seu Estado, nem tem o seu sotaque. Gosta das mesmas músicas country que o João, mas também gosta de Angra, banda que não agrada João nem um pouco.
__Ele é o autor da última proposta de emenda constitucional em tramitação no Congresso Nacional: clique aqui para lê-la.

__O último dos nossos colegas brasileiros é o Caio, que também é de Porto Alegre e participou das mesmas feiras de emprego que eu e a Fernanda participamos quando estávamos no Brasil. Assim como eu e ela, estuda na UFRGS. Seu curso é Administração. É apaixonado pelo Rio Grande do Sul. Não trouxe cuia, bomba e erva de chimarrão porque temeu que não passassem pela imigração. Mas, assim que chegou nos EUA, já combinou com seu pai um jeito de receber o “kit gaudério” o quanto antes. Tenta enganar os clientes, dizendo que se chama Jason e que é de Minnesota.

__Outro dos nossos colegas se chama César, e é do Peru. Estuda engenharia naval. Vai ao Brasil para participar de uma conferência em agosto. Comunica-se em Inglês sem qualquer dificuldade, e dá uma boa arranhada no Português. Presta atenção nas conversas em Português entre os brasileiros e sempre pergunta o significado das nossas expressões. Pessoa sorridente, educada e brincalhona. Outro cara muito fácil de se gostar.
__Por fim, temos o colega Arief, da Indonésia. No Inglês, tem o vocabulário mais rico entre nós, mas tem um sotaque bastante pesado. Não me lembro se são três ou cinco vezes por dia que ele se volta para Meca e reza. Tem uma namorada que mora hoje em Cingapura. Por ser o mais quieto e o mais dedicado à religião, recebeu o apelido carinhoso de “traficante”. Suas fotos podem ser encontradas no link abaixo:

www.friendster.com/arieftop.

__Depois de observarmos os colegas trabalhando, eu e a Karla dividimos um computador e atendemos alguns clientes. O serviço do vendedor de ingressos é muito simples. Não há nem o trabalho de lidar com o dinheiro, pois a maioria dos clientes paga com cartão de crédito.
__De manhã, viera para o trabalho ouvindo Português. No trabalho, falei Português o dia inteiro. Agora, no ônibus para casa, ouvia os brasileiros falando Português novamente. Percebi que é perfeitamente possível viver aqui nos EUA sem aperfeiçoar nem minimamente o Inglês. Há um Brasil nessa cidade. Você pode se isolar dentro desse Brasil e desperdiçar a chance de interação com um povo diferente.

3 comentários:

Rojane disse...

Entrei no Link do Arief, bacana os lugares por onde ele passou... parece ser um guri do barulho....muito simpático o apelido dele.....rs
Renan, precisamos de outra foto do Caio, a que tem no teu Blog, na hora de editar esta embaçada....
Manda via email....
Todos os teus amigos(fotografados) estão sendo catalogados.
Quero uma da Karla(com "C") também.
Bjs te AMO

Scarlett disse...

Q barato essa descrição toda sobre os personagens de suas histórias... Mt figuras... queria conhecer vcs todos. Tbm mt real o q escreveste sobre haver um Brasil bem aí dentro onde vc ta morando. Isso pode ser um perigo msm.. hehehe Abração.

Vinícius disse...

cara. eu acredito que vou entender isso perfeitamente, pois estou indo para uma cidade chamada Williston, en North Dakota, e vulgarmente se chama Braziliston, devido a grande quantidade de brasileiros que residem no local.