terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Bozeman - Parte III

__Essa era a sala do albergue:__-Renan, você está acordado?

__-Estou. Não tá conseguindo dormir?
__-Não.
__Fernanda acordara quatro da manhã. Na verdade, era 9 da manhã para nós, brasileiros. Mas eu ainda estava sentindo bastante sono, pois não dormira nada bem no avião. Ficamos conversando, e acabamos acordando a Carla.
__Às 9, deveríamos estar no Social Security Office para solicitar nosso Social Security Card. Precisamos ter esse cartão para trabalhar nos EUA. Como ele não fica pronto imediatamente, os intercambistas recebem uma autorização provisória para trabalhar.
__Me vesti e fui colocar as minhas botas novas. Elas me pareciam muito bonitas e protegidas contra a neve. Estava seguro de que, com elas, não sentiria frio nos pés como no dia anterior. Calço a primeira e acho ótimo. Calço a segunda e quero me matar. Os pares eram iguais. Serviam apenas no pé direito.
__-Ah! Não acredito. Não acredito que eu fiz isso.
__Ao invés de aproveitar desde o começo meu primeiro dia nos EUA, eu teria que ir até oWall Mart novamente para trocar a porcaria da bota.
__Abaixo, mais uma foto de mim na frente do albergue:

__Às 8, estávamos na rua, procurando um lugar para tomar o café da manhã, e eu com uma sacola que continha o par de botas. Entramos num lugar parecido com a cafeteria onde estive com a Fernanda no dia anterior. Olhamos o cardápio. Eu não conhecia aquelas opções de comida. Uma das opções era Brazilian não sei o quê. Era uma das escolhas mais caras. Perguntei à atendente:
__-O que é esse Brazilian?
__Ela explicou um monte de coisa que eu não entendi. Uma das minhas fraquezas no inglês é o vocabulário alimentar. Não sei o nome de quase nada. Depois que ela falou sobre tudo o que vinha nesse prato, eu brinquei:
__-Aposto que é o que há de melhor aqui.
__-No fim, escolhi um chocolate quente e um sanduíche. Era a opção mais barata. Não tinha noção de quanto gastaria nos EUA antes de receber meu primeiro pagamento, então tentava economizar o máximo que podia.
__-Pagamos para usar a internet por doze minutos, apenas para fazermos nosso cadastro no SEVIS, que é um sistema de controle dos imigrantes, implantado depois dos atentados de 11/9. Depois que chegamos nos EUA, temos cinco dias para nos cadastrarmos no sistema. Toda vez que mudarmos de cidade dentro dos EUA, também temos que informar o sistema. Desrespeitar essas regras pode levar à prisão.
__Tiramos algumas fotos no lugar, mas acabei apagando todas elas da minha máquina. Nenhuma ficou boa. Depois, me arrependi por ter jogado fora aquela lembrança do lugar.
__Terminado o café da manhã, fomos ao escritório do seguro social. Ficava num prédio maior do que todos os outros da região. Já o escritório parecia bem pequeno. Logo que entramos, vimos outros intercambistas solicitando seus cartões. Numa das paredes do escritório, havia uma foto do presidente George W. Bush sorrindo.
__-Fernanda, olha a foto do Bush. Você acha que é obrigatório ter a foto do presidente aqui? Ou será que algum dos funcionários gosta dele e pendurou o quadro?
__-Não sei. Deve ser obrigatório.
__Achei estranho. Acredito que algum funcionário que gosta do presidente pendurou o quadro, pois este não fazia qualquer menção à presidência do país. Parecia uma homenagem a uma pessoa, e não a uma instituição.
__O ônibus para Big Sky sairia 1:45 da tarde, e eu ainda precisava ir ao Wall Mart. Combinei com as colegas que iria ao Wall Mart e depois voltaria ao Backpackers para, de lá, pegarmos um táxi até o local onde o ônibus para Big Sky nos pegaria. Assim que terminei a solicitação do meu cartão do seguro social, saí correndo.
__A caminho do Wall Mart, resolvi tirar uma foto. Não havia nada especial ali para se fotografar. Mas a neve, a segurança e a limpeza proporcionavam uma sensação com a qual eu não estava acostumado, e resolvi tirar uma foto para que pudesse me lembrar dessa sensação sempre que quisesse. Abaixo, a foto:

__Cheguei no mercado e fui à área de atendimento ao cliente. A atendente pegou a caixa com as botas e pediu que eu pegasse um outro par e voltasse ali. Voltei, apresentei o recibo e ficou tudo certo.
__-Você pode chamar um táxi para mim?
__-Claro!
__-Não sei muito bem como usar esses cartões telefônicos daqui. É minha primeira vez nos EUA.
__-Ah é? Você é muito bem vindo!
__-Obrigado.
__O táxi chegou em dez minutos. Entrei no táxi e já fui puxando assunto com o motorista. Não sabia se os americanos gostavam de conversar com estranhos, mas eu não estava ligando pra isso. Já estava a milhares de quilômetros de casa para conhecer esse lugar e esse povo e faria o possível para não perder qualquer chance de interação.
__-Como você está, senhor?
__-Cansado.
__-É mesmo?
__-Muito. E você? Com muito frio?
__-Ah, sim. Essa temperatura não existe no Brasil.
__Ele deu uma gargalhada.
__Quando chegamos ao Backpeckers, o preço tinha ficado mais alto do que para a mesma corrida da noite anterior. Não havia taxímetro. O motorista nos dava o preço quando chegávamos ao destino. Paguei, e ele ficou com a gorjeta.
__Logo que entrei, encontrei a Carla com suas malas. Ela e a Fernanda já estavam prontas e já tinham chamado um táxi para nos levar até o local onde o ônibus nos pegaria. Peguei minhas malas e fui para a frente do albergue. O taxista que nos levaria era o mesmo que tinha me trazido até ali.
__Colocamos toda a bagagem no carro e saímos. Ao chegar no shopping, que era o local onde o ônibus nos pegaria, o taxista disse que, para ficar justo, ele cobraria 10 dólares de cada um. Não sei do ponto de vista de quem era a justiça de que ele estava falando. A distância entre o Backpeckers e o lugar onde estávamos não era muito maior do que a distância entre o Backpeckers e o Wall Mart, que era de uns vinte e cinco minutos de caminhada.
__Ficamos esperando o ônibus na frente do shopping. Quando ele chegou, um rapaz apareceu de dentro do shopping e nos perguntou se queríamos ajuda para colocar as malas no ônibus, com aquele jeito simpático de todos os habitantes com quem tínhamos conversando até então. Perguntou isso em espanhol. Depois, ele embarcou conosco. Já a caminho de Bozeman, puxei assunto com ele. Logo que comecei a falar, ele me interrompeu educadamente e falou, em Inglês:
__-Desculpa ter falado em Espanhol com você. Eu jurava que tinha ouvido vocês falando Espanhol.
__De alguma forma, ele sabia agora que éramos brasileiros.
__-Tudo bem. Não se preocupe.
__Ele me contou que já havia estado no Chile, e que estava tentando aprender um pouco de Português. Também disse que era mórmom. Mostrei para ele um videozinho que tinha feito em Bozeman, de mim chutando a neve. Ele riu bastante. Assim que paramos de conversar, ele dedicou atenção ao livro que estava lendo, Freaknomics. Ele parecia aqueles CDFs simpáticos, que são bonzinhos com todo mundo e são judiados na infância.
__A paisagem predominante no começo da viagem era o marrom. Depois de uma hora de estrada, a paisagem perdeu essa cor e ganhou o branco da neve e o cinza das rochas. Entramos numa pista estreita. Do nosso lado esquerdo, montanhas. Do outro lado, um riacho e mais montanhas. O riacho estava congelado em alguns pontos. E o caminho agora era todo subida em direção ao resort, que ficava próximo do topo de uma das maiores montanhas locais, o Lone Peak.

__Um pouco mais acima, a pista ficou familiar, pois as curvas eram aquelas que aparecem no vídeo que eu postei aqui no blog antes de viajar. A viagem terminou quando vimos um estacionamento, um shopping e paramos na entrada de um hotel.

2 comentários:

Rojane disse...

Um par de Botas com pés iguais????...kakakakakakakaka
Fotos lindas meu filho.....
Amo vczinho....
Beijos

Darlene disse...

That is too funny about the boots. Typical WalMart. Always having to return something or not able to find what you want in the first place.

I guess there are a lot of Spanish-speaking people there. You will find that all over the U.S.

The reason there was a picture of President Bush in the Social Security Office is because it is a government agency and he is head of our government right now.