sábado, 27 de janeiro de 2007

Avião para Salt Lake City – Parte III

___O piloto anunciou que estávamos próximos de Salt Lake City e que, em alguns minutos, estaríamos em solo.
___Percebia, pela janela, que as montanhas estavam acabando. O terreno ficou repentinamente plano. Sobre esse chão, vi uma cidade com quadras divididas simetricamente. Todo o território era branco, coberto de neve. Parecia uma cidade congelada. Um dos lados da cidade era limitado por uma cadeia de montanhas.
___Fiquei muito feliz por estar indo a Big Sky, e não a outro dos lugares que tive a oportunidade de escolher como destino nesse programa de intercâmbio, como Connecticut e Califórnia. Queria conhecer uma região americana que fosse realmente diferente do que eu conheço do Brasil, e Big Sky é uma cidade de 1500 habitantes que fica completamente coberta pela neve durante o inverno. Os lagos congelam. Durante a temporada de ski, habitantes de todo os EUA vêm para cá, de modo que, nessa pequena cidade, tenho a oportunidade de conhecer gente de todo o país.
___Uma pena não poder sair do aeroporto. Assim que pousássemos em Salt Lake City, embarcaríamos imediatamente para Big Sky.
___O avião se aproxima do chão. Dos dois lados da pista, posso ver muita neve. Quando tocamos o solo, posso vê-la de perto. Ela está derretendo sobre o asfalto, iluminada pelo sol. Tem a aparência de uma raspadinha.
___Saio com pressa do avião com a Fernanda e procuramos algum balcão de informações para saber se perdemos a conexão ou não. Estávamos uns quinze minutos atrasados, mas descobrimos que estávamos em tempo de embarcar.
___Entramos na fila do embarque. Depois, percorremos um pequeno corredor. Do fim do corredor até a porta do avião, havia um pequeno espaço aberto, sem cobertura e sem paredes. Havia apenas uma pontezinha para que os passageiros entrassem. Quando passei por esse lugar, tive a surpresa de um frio congelante. Aquele vento me pegou do nada, e pude sentir um frio mais forte do que qualquer outro que já havia sentido. E foi uma delícia! Aquela temperatura eu só sentiria no Brasil se fosse dentro de uma geladeira. Parei para apreciar o ar e dei risada. Sempre ouvi que esse frio é terrível. Mas experimentá-lo por apenas alguns segundos foi ótimo, nem um pouco dolorido ou agoniante. Depois, entrei rindo no avião, cumprimentando as pessoas com um sorriso que rasgava as bochechas.
___Esse avião não era nada espaçoso. Tinha apenas dois assentos pequenos de cada lado, e a largura do corredor obrigava as pessoas a se apertarem para poder se cruzar.
___Agora era fácil perceber que estávamos na companhia de americanos. A pele das pessoas era muito branca e com um leve tom avermelhado, aparentando fragilidade contra o sol. Havia os caras de boné de time de baseball, os gordões de bigode e as crianças lourinhas.
___Próxima parada, Bozeman!

Um comentário:

Rojane disse...

Participo de tua alegria na escolha por Big Sky para este programa.

Saudades que dói