domingo, 17 de dezembro de 2006

Despedida

____Estou deixando Campinas esta tarde. Não sei quando vou ter acesso à internet pela próxima vez. Sendo assim, vou anotando os episódios e pensamentos num caderno e, assim que tiver a chance, passo tudo para o blog.
____Obrigado a todos que acessaram o blog até agora!
____Confiram o último post, Agonia do Visto. Recomendo a leitura principalmente aos amantes da estatística. Se alguém conseguir calcular a probabilidade de acontecer tudo o que aconteceu, por favor, mande um comentário.

renancontador-contato@yahoo.com.br

A agonia do visto

_____Desde quinta-feira passada, eu esperava ansiosamente pelo visto. Telefonei para o consulado uma infinidade de vezes, mas, nessa época do ano, há muitas solicitações de visto e, por isso, ninguém conseguiu me atender. Se o visto não chegasse até sábado, dia 16, minha viagem atrasaria mais uns dez dias.
_____Tudo o que eu e minha família queríamos era ver o entregador do Sedex se aproximando do portão da casa e tocando a campainha.
_____Era sexta-feira quando minha mãe viu um homem com o uniforme do Sedex atravessando a rua e vindo em nossa direção. Finalmente, o visto!
_____O homem chegou à frente da nossa casa, mas tocou a campainha da vizinha. Minha mãe disse:
_____-Ô! É aqui!
_____Foi até lá para falar com ele e dizer que ele estava batendo na casa errada. Mas a vizinha saiu e recebeu a caixa que ele tinha em mãos. Não era a caixa do visto. Aquele sedex não era para mim.
_____Olhávamos pela janela da casa o tempo todo. Qualquer imagem amarela poderia ser o homem do Sedex. De repente, quando não prestávamos atenção na rua, a campainha tocou! Era o pessoal do Sedex, com uma caixa na mão. Minha mãe gritava:
_____O visto! O visto! Filho! Você vai para os EUA amanhã!
_____Voamos para o portão. O senhor do Sedex percebia nossa alegria e retribuía o sorriso. Aquele momento parecia familiar para ele. Ele deve se sentir muito bem ao entregar um papel tão importante, o tão sonhado documento que atormenta a vida dos intercambistas desde que ele começa a sonhar com sua visita a uma terra estrangeira.
_____Falamos com o senhor e pegamos a caixa. Mas quem era o remetente? O portal Terra!
_____Abrimos a caixa. Dentro, havia uma camiseta com o nome de uma banda. - não me lembro o nome da banda. Só sei que, depois dessa, é bem provável que minha mãe odeie essa banda para o resto da vida - Minha mãe havia ganhado um concurso de frases, e o prêmio era essa camiseta. Nunca ganhamos um prêmio, e jamais recebemos um Sedex no sábado. Logo no dia em que endoidecíamos no aguardo do visto, ganhamos um concurso, que chega por Sedex, no sábado!
_____Fui tomar banho. Relaxava debaixo do chuveiro quando uma amiga da minha mãe bate na porta e grita:
_____-Renanzinho! Chegou uma caixa pra você do Sedex!
_____Como eu sabia que era muito mais provável que fosse uma intimação da polícia, uma convocação urgente para um novo alistamento militar, uma caixa com jóias vindas de um tio desconhecido que acabara de morrer, um convite para trabalhar na Agência Brasileira de Inteligência ou para fazer parte da Academia Brasileira de Letras, uma solicitação para doação de medula óssea ou um título de cidadão do ano fornecido pela prefeitura de Campinas, não me empolguei.
_____-Já vou ver o que é!
_____Quando peguei o envelope, não é que vi o sem vergonha do visto?
_____Assim terminou a saga da papelada. Agonia até o último instante! Agora, entramos numa nova fase. Fico me perguntando quantas coisas podem me acontecer até eu colocar o meu pé no Big Sky Resort!
_____Desejem-me boa sorte! Vocês já perceberam que eu vou precisar.