sábado, 2 de dezembro de 2006

Razões para a viagem

É de senso comum que, em grande parte das áreas de atuação profissional, inglês deixou de ser diferencial e agora é pré-requisito. Mas, embora passar um tempo no exterior colabore para aperfeiçoar a fluência no idioma, não estou congelando minha vida acadêmica e profissional apenas para ter um inglês melhor.

As razões para minha viagem estão resumidas numa passagem do livro "Mar sem fim", de Amyr Klink:

Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos e simplesmente ir ver”.

Resumindo: além da melhora no inglês, ter contato tão direto com uma cultura estrangeira me trará uma compreensão melhor não só do Brasil, mas do mundo.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

Foto minha
















O livro que eu estava lendo aí era "Labirinto", de Kate Mosse.

O livro ao lado é "O Mundo Assombrado pelos Demônios", de Carl Sagan. Já estava louco pra lê-lo.

Na minha frente, o meu "bloquinho da sabedoria", onde eu anoto as melhores frases que ouço e leio.

Ao fundo, o centrão de Porto Alegre.

renancontador-contato@yahoo.com.br

Começando

Ontem foi o meu último dia de faculdade em 2006. Logo depois da aula, treze colegas resolveram bater um papo em algum lugar da Lima e Silva e comemorar o fim da semana estressante de provas.

Além de ser meu último dia de aula, era a última vez que via meus colegas pelos próximos seis meses. No domingo ou na segunda-feira - ainda não tenho certeza - embarco para São Paulo para tentar o visto de trabalho de 4 meses nos EUA, que é o último possível impedimento à minha viagem de intercâmbio, daqui 11 dias. Passagens, moradia, emprego e todos os outros detalhes já estão definidos. Providenciar o visto não ficou para tão próximo da viagem por descuido. Isso aconteceu porque meu programa de intercâmbio é do tipo "Work and Travel". Nessa modalidade, a obtenção do visto depende de uma série de papéis providenciados pelo empregador no exterior. Sendo assim, não há como obter o visto antes de se ter todos os detalhes da viagem definidos.

Eu já havia passado toda a semana em clima de despedida. Mas, agora que estávamos reunidos, curtindo o fim da correria, começava a bater aquela saudade mais forte dos amigos.

Depois do descanso e da conversa no "Pingüim", fomos nos despedir e o pessoal todo pediu que eu escrevesse sempre que pudesse quando estivesse lá fora. Na brincadeira, eu disse:

-Pode deixar, pessoal. Eu vou mandar uma circular. Ou vou fazer um blog.

Voltando pela rua para casa, minha namorada me disse:

-Vai fazer um blog, é, Renanzinho?

Parei pra pensar sobre isso. Sempre gostei muito de escrever. Dos 13 aos 18, escrevi em torno de 25 letras de músicas, que eu cantava e tocava com meu violão. Mas eram apenas letras descompromissadas (embora, na época, eu desejasse muito que fossem mais que isso). Arrisco uns ensaios em casa sobre diversos assuntos. Recentemente - não me lembro mais em que circunstâncias - uma história sobre um anjo surgiu na minha cabeça, já com início, meio e fim. Pensei comigo: - serei capaz de contar uma história num livro?

Depois de começar a escrevê-la, tive o prazer de perceber que sim. Tentar contar da maneira mais bela essa história que eu criei e continuo criando tem sido minha atividade mais prazerosa. Meu envolvimento com esse livro já é forte e sério. Tenho trabalhado pra que ele seja uma obra rica. Mas, como não sobra muito tempo para que eu me dedique a ele, em função dos estudos e trabalho, não acredito que ele fique pronto antes de 2010.

Gravar essa história não satisfaz todo o meu desejo de escrever. Mas sobre o que eu poderia escrever? Que experiência especial eu posso abrir, que seja particularmente interessante?

Não fosse minha namorada, ao perguntar se eu realmente faria o blog, eu não teria percebido que eu poderia escrever sobre essa viagem aos EUA. Durante todo esse ano em que planejei, viajei pelo Brasil e entrei em contato com estrangeiros, tudo em função do intercâmbio, vários momentos provocaram emoção. E o intercâmbio de verdade nem começou. Provavelmente, escrever sobre os sentimentos de se experimentar uma cultura diferente, quando as emoções ainda estão frescas, pode fornecer diversão ou informação para pessoas que planejem fazer viagem parecida, ou simplesmente queiram saber sobre a rotina de quem cai num mundo diferente do seu.

Sendo assim, esse é meu compromisso com esse blog a partir de hoje: contar os acontecimentos e os pensamentos que essa viagem provocará.
Não sei com que facilidade acessarei a internet quando estiver por lá. Pode ser que o blog fique semanas sem atualização. Mas levarei um caderno comigo, onde escreverei diariamente, para depois transcrever pra cá.

Aqui começa a nossa viagem!