quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Resumo do programa

Esse post pode ser útil pra quem pretende participar de um programa de intercâmbio "Work and Travel". Vou contar como as coisas funcionaram comigo, mas sem descer aos mínimos detalhes. Caso alguém queira saber mais, é só escrever (renancontador-contato@yahoo.com.br).

No final de 2005, caiu nas minhas mãos uma edição da revista Isto É que falava sobre um tipo de intercâmbio que vinha ganhando popularidade. Era uma modalidade em que estudantes universitários eram contratados por empresas americanas para trabalhar por quatro meses nos EUA.

Nesse tipo de intercâmbio, as contratações ocorrem através de feiras de empregos que acontecem no Brasil. Nas feiras, alunos que se inscrevem no programa através de uma agência brasileira são selecionados. Caso não sejam selecionados na primeira feira da qual participam, podem participar de várias outras feiras. A agência garante um emprego nos EUA em cláusula contratual. Uma vez nos EUA, um bom controle de gastos e disposição para trabalhar muito permitem recuperar o valor investido na viagem. Essa é uma das maneiras mais baratas de se viajar para lá.

A revista falava sobre três agências que ofereciam esse programa de intercâmbio: STB, World Study e Intercultural. Visitei essas três e mais algumas. Simpatizei com a agência que demonstrou mais entusiasmo no atendimento. Mais tarde, não precisei pagar nada por esse diferencial. Mesmo com esse plus, eles ofereciam o preço mais competitivo entre as concorrentes.

Não fechei com a agência imediatamente. Primeiro, pesquisei depoimentos sobre esse programa para conhecer os riscos envolvidos. Só assinei o contrato em meados de 2006. Os principais riscos que o programa oferece são:
-Ter o visto negado antes de embarcar
-O empregador desistir da contratação na última hora
-Ser demitido nos EUA

Sobre o primeiro risco, falarei no próximo post. Sobre o segundo, ele pode complicar o programa, mas, assim que o emprego é cancelado, a agência nos consegue outro. O problema é que isso demora um pouco e, como só se pode trabalhar por quatro meses lá, o tempo que não se trabalha é dinheiro perdido. Sobre o terceiro risco, pode acontecer de a demissão levar a um cancelamento do visto, dependendo da razão da demissão. Caso o visto não seja cancelado, é possível arrumar outro emprego, com ou sem a ajuda da agência.

Fui avisado de que, entre as empresas que realizariam feiras de emprego no Brasil, estava o Foxwoods Cassino, do Estado de Connecticut. A feira, porém, ocorreria depois das feiras de dois outros ótimos empregadores: a Universal e o Harra´s Cassino. Uma vez decidido por tentar o Fox, eu não poderia tentar as vagas oferecidas pelos dois outros empregadores. Mas resolvi arriscar. Na verdade, meu desejo era trabalhar numa estação de ski. Mas como as feiras de emprego de estações de ski eram mais para o fim do ano, fiquei com receio de aguardar demais, perder a oportunidade de trabalhar num lugar bom, como o Foxwoods e, no final, por qualquer razão, não conseguir trabalho num ski resort. Assim, resolvi tentar o Foxwoods.

A feira ocorreu em agosto, em um hotel em Curitiba. A emoção do meu intercâmbio começava já nessa viagem. Sempre ouvira muito sobre a beleza de Curitiba. Mas, mesmo assim, a surpresa foi muito grande ao andar pela avenida 7 de Setembro. Prédios elegantes e altos beiravam o asfalto impecável. A avenida era larga e longa. Mal conseguia ver o fim. E ela era cortada por várias outras ruas igualmente longas. Era um lugar espetacular.

Antes da entrevista, uma prova de matemática, na qual fui muito bem e que elevou minha confiança. Eu seria o décimo nono a ser entrevistado. Meu inglês estava afiado e eu estava seguro. Enquanto aguardava minha chamada junto de alguns colegas, um senhor passou mal ao nosso lado. Vomitou muito, mas muito sangue. Uma equipe médica apareceu para socorrê-lo. O episódio serviu para aumentar o drama de quem temia não conseguir se comunicar na hora da conversa com o selecionador.

Chega a minha vez. Cumprimento o selecionador, figura simpática, mas que não fala português, e a conversa flui naturalmente. Em nenhum momento o inglês trava. Ele me pergunta sobre a razão da viagem, sobre habilidades, sobre minhas preferências de trabalho e outras coisas.

A entrevista acabou e eu me sentia como se tivesse conversado em português com um amigo qualquer. Mas não dava por certo a contratação. Procurei não ficar alegre demais, já que não sabia exatamente que tipo de empregado eles procuravam e, portanto, não podia sequer imaginar se eu passara a imagem desejada por eles.

Fiz bem em não me deixar comemorar. Três semanas depois, veio a notícia de que eu não havia passado.

Depois de alguns dias de absorção da frustração, nova oportunidade: feira de empregos de um ski resort chamado Big Sky (site: http://www.bigskyresort.com/). A seleção tinha 2 fases: na primeira, teste de inglês em Porto Alegre. Na segunda, entrevista com uma selecionadora, em Florianópolis.

Na primeira fase, o teste de inglês, não estando tão seguro quanto na entrevista do Foxwoods, gaguejei, troquei palavras e, acredito, não passei uma imagem de entusiasmo. Após o teste, fui informado de que havia atingido notas 4 e 4 para habilidade com o inglês e sociabilidade, respectivamente, numa pontuação máxima de 5 para cada. Fui melhor do que esperava.

Já na segunda fase, eu estava seguro novamente. A entrevista foi um bate-papo com uma selecionadora muito divertida. No fim de semana, já tínhamos os resultados. Eu havia sido aprovado, assim como todos os outros seis colegas que participaram da feira. Começava então a parte mais estressante do programa, na minha opinião: a obtenção do visto.

O visto necessário para se participar desse tipo de programa é chamado “J1”. Para se obter esse visto, é necessário apresentar ao consulado um documento chamado DS2019. Quem providencia esse documento é o empregador do intercambista. Para o empregador, providenciar esse documento envolve lidar com uma burocracia nos EUA. No meu caso, o DS2019 só apareceu em dezembro, pouco menos de duas semanas antes da data de embarque para os EUA. Além desse formulário trazido pelo empregador, é necessário que o intercambista prepare outros formulários e obtenha uma série de documentos, para apresentá-los no consulado no dia da obtenção do visto. Esses documentos têm por objetivo comprovar que o viajante tem responsáveis financeiros no Brasil, que possam lhe enviar dinheiro caso ele precise nos EUA, e que o estudante não praticará crimes para se manter.

O processo do visto é estressante porque ameaça jogar no lixo todo o esforço dispendido desde o começo do programa: participação nas feiras, viajem para receber orientação, preenchimento de muitos papéis, abandono de emprego, adaptação dos planos para a faculdade, despesa com documentos etc.

É difícil saber com exatidão quais são os critérios usados pelo consulado para conceder ou negar o visto . Sabe-se apenas que, quanto mais alta a renda dos responsáveis financeiros, quanto maior o patrimônio deles, quanto mais jovem o estudante for (idade máxima de 28 anos), quanto melhor for o seu inglês e quanto mais no começo da faculdade ele estiver, maiores as chances de obter o visto. A grande preocupação do consulado é que o estudante tente ficar nos EUA para sempre. Além disso, nos atentados de 11/9, um dos terroristas usava o mesmo tipo de visto necessário para esse programa, o que aumentou as exigências do consulado para concedê-lo.

A data para eu tentar o visto no consulado foi ontem. No próximo post, falo sobre como foi. Isso não é pra fazer o pessoal entrar no blog de novo, hein? É que, agora que cheguei em Campinas, também tenho umas coisas pra fazer por aqui e já estou saindo!

Um comentário:

Rojane disse...

Bah! dá para fazer um filme só deste começo.
Imagino que cada Post seria um novo filme.
Estou curiosa para os próximos.
Bjs de Mãe Rojane