segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Aprendendo antes do embarque

_____O aprendizado sobre a cultura americana começa muito antes da estadia nos EUA. Logo depois que fechamos com a agência, participamos de uma “reunião manual”, onde os estudantes são orientados sobre as etapas do programa. Nessa reunião, a psicóloga da agência fala sobre choque cultural e sobre emoções. Ao falar sobre a cultura, ela diz que o principal valor dos americanos é o trabalho.

_____Pude notar esse valor logo na primeira feira de empregos, a do Foxwoods Cassino, que fica no Estado de Connecticut.

_____A feira ocorreu num hotel em Curitiba. Estudantes de várias cidades do sul do Brasil participaram. Antes das entrevistas, os selecionadores deram uma palestra sobre o programa de benefícios dos empregados da empresa.

_____Um dos temas tratados foi moradia. Ao contrário da maioria dos empregadores que realizam essas feiras, o Foxwoods não oferece alojamento aos intercambistas. Assim que chegam nos EUA, os participantes do programa devem encontrar um lugar para ficar. Geralmente, os brasileiros que trabalham no cassino moram em casas na cidade de Norwich. Eles se reúnem em grupos de quatro a nove, dividindo as despesas, que costumam ficar em torno de US$ 200,00 ao mês para cada um.

_____Sem ficar mais sério ou mais sorridente, sem lamentar, sem pedir desculpas, sem falar sobre os pontos positivos ou negativos, o palestrante diz:

____-A maioria dos nossos trabalhadores estrangeiros compra sacos de dormir e mora em grupo para rachar a despesa, em casas não mobiliadas. A maioria dorme no chão.

_____Nessa fala, o valor dado ao trabalho aparece. O palestrante, que também era selecionador, não tentou nos passar a idéia de que sua empresa estava ali para nos prestar assistência social. Nem fez questão de ressaltar que estaríamos fechando um contrato de trabalho, e não sendo adotados. Simplesmente nos disse o que precisávamos saber sobre moradia. Todos nós já sabíamos que a coisa funcionava assim. Mas ele não viu problema em nos lembrar. Ele poderia fingir não saber que seus empregados dormem no chão. Mas não. O assunto era trabalho, e deveríamos ser lembrados de que não moraríamos, mas acamparíamos.

_____A agência nos disponibiliza um curso de inglês online, que dura seis meses. O curso foi elaborado para atender às necessidades dos participantes do programa Work And Travel que a agência oferece. Além de ensinar inglês, o curso familiariza os intercambistas com costumes americanos. Um dos costumes que chama atenção é o de dar gorjetas. No caso de não se ter gostado do serviço de um garçom, ou de um taxista ou de quem for, o freguês costuma dar 10% de gorjeta. Caso o serviço tenha sido bom, a gorjeta pode ficar entre 15% e 20%.

_____O salário mínimo americano é US$5,15/hora. Para empregos que incluam gorjeta, o salário mínimo é US$2,15/hora. A regra é o trabalhador de salário de US$2,15/hora ganhar mais do que um trabalhador de US$10,00/hora.

_____Mais um costume curioso que o curso nos ensina é o modo de pagar a passagem de ônibus urbano. Os americanos encontraram uma solução melhor que a das capitais brasileiras, que há quase dez anos vêm substituindo as fichinhas por cartões magnéticos. Funciona assim: na porta do ônibus, tem uma caixinha. Ao entrar, você deixa na caixinha o valor exato da passagem. Assim, não há necessidade de roleta, de venda de fichinhas, de cartão magnético, nem de fazer fila para receber o troco do cobrador (na verdade, não há cobrador). Simples, não?___________

3 comentários:

Doit disse...

Vi teu blog na comunidade da Superinteressante...

Assim como os ônibus dos EUA, as revistas e jornais na Alemanha. Você senta no banquinho da praça, lê o que quiser e devolve. Simples, não?!

Piada, aqui.
Aqui, isso é piada.


Boa viagem amanhã!
Meu blog fala sobre arte, se gostas...
;)

Renan Caleffi de Oliveira disse...

Olá, amigo.
Por favor, publique o endereço do seu blog aqui.

Adriano Dal Bosco disse...

Esse sistema tem um problema: se você não tiver dinheiro trocado, não pode usar o ônibus. No Japão o sistema é um pouco mais sofisticado. Ao lado do motorista tem uma máquina que troca o seu dinheiro por moedas de vários valores. Quando você for descer do ônibus, basta jogar as moedinhas correspondentes ao preço da sua corrida na mesma maquininha.

Há um outro motivo para a máquina de troco e de contar moedas ficar ao lado do motorista: o preço da passagem varia de acordo com a distância que você percorreu. Por isso só é possível pagar quando você for descer do ônibus.